Publicado em Deixe um comentário

Peixes da Amazônia: curiosidades e receitas típicas!

peixes-da-amazônia

Se você já visitou algum estado do norte do Brasil, certamente deve ter provado alguma receita típica preparada com peixes da Amazônia. 

A abundância de espécies nesta região propiciou que a gastronomia local tivesse uma grande variedade de pratos com pescados, como a caldeirada de tambaqui, a mujica de peixe ou o pirarucu à casaca. 

Muitas destas receitas são herança dos povos indígenas, que já tinham o costume de preparar e consumir peixes muito antes da chegada dos europeus. 

Inclusive, muitos dos peixes que vamos conhecer aqui neste artigo possuem nomes derivados de diferentes línguas indígenas. 

Vêm com a gente conhecer um pouco mais sobre os peixes da Amazônia e conferir algumas dicas de receitas deliciosas para você preparar para toda a sua família!

Dia Mundial da Migração dos Peixes

Você sabia que no mês de Maio ocorre a celebração do Dia Mundial da Migração dos Peixes? Esta é uma data pouco conhecida, mas muito importante. 

Afinal, as ameaças que afetam os ecossistemas de água doce acabam resultando na escassez de algumas espécies, bem como no desequilíbrio da cadeia alimentar de vários animais. 

Estas influências negativas nos ciclos de migração é prejudicial não só para natureza, mas também para as comunidades que tem como principal fonte de renda a pesca. 

Confira agora os peixes da Amazônia que estão mais presentes na culinária nortista. 

Conheça alguns peixes da Amazônia!

tambaqui
Tambaqui
Fonte: Canva Pro

Tambaqui

O tambaqui, popularmente conhecido como pacu vermelho, é um peixe que tem uma carne super saborosa. Famosos por sua arcada dentária forte, esta espécie costuma se alimentar de frutas, sementes, plâncton e insetos. 

Quando não é capturado, ou criado em cativeiro, o tambaqui pode chegar a 40 kg. Por isso, é considerado um dos maiores peixes de escama do país. 

O tambaqui assado e a caldeirada de tambaqui são pratos muito apreciados na região norte. Para a caldeirada, a parte mais indicada a ser usada são as costelas. E, para acompanhamento, um pirão feito do próprio caldo do peixe. É um prato de laber os beiços! 

tucunaré
Tucunaré
Fonte: Canva Pro

Tucunaré

O tucunaré é um peixe com carne mais gordurosa que fica uma delícia quando é feito na brasa! Apesar de serem naturais das bacias amazônicas, você consegue encontrar facilmente esta espécie em várias regiões do Brasil. 

De alimentação carnívora, os tucunarés são mais sedentários e costumam habitar regiões com águas pouco movimentadas. Além disso, eles costumam se alimentar próximos às margens dos rios, o que os torna uma presa fácil para pescadores. 

pirarara
Pirarara
Fonte: Canva Pro

Pirarara

Pirarara é uma palavra que vem do tupi que significa peixe-arara. Esta espécie de couro tem as costas acinzentadas e cheias de pintinhas. 

Noturno e de grande porte, este peixe pode alcançar uns 60 kg. Uma curiosidade interessante é que a Pirarara é um dos poucos predadores da temida piranha. 

Na região norte, sua carne é muito presente em moquecas. Além disso, a Pirarara ao molho de leite de coco também é um prato simples de fazer que é de dar água na boca! 

pirarucu
Pirarucu
Fonte: Canva Pro

Pirarucu

Considerado um dos gigantes da Amazônia, o Pirarucu pode chegar a 3 metros de comprimento e ultrapassar 300 kg. 

Comum em lagos e rios de águas tranquilas, a comunidade ribeirinha costuma salgar sua carne para preservá-la. Por isso, muito o chamam de Bacalhau da Amazônia.

Contudo, seu sabor e textura não são semelhantes ao bacalhau, e seus processos de preparo também são bem diferentes!

Seu nome é derivado de duas palavras do tupi: pirá (que significa peixe) e urucum (que significa vermelho). Existem lendas indígenas que contam que um índio chamado Pirarucu foi transformado por Tupã em um peixe gigantesco como castigo por suas terríveis ações. 

Um dos pratos mais famosos preparados com esta espécie é o Pirarucu à Casaca. Servido com uma deliciosa farofa de mandioca e bananas fritas, esta receita é bastante comum nos estados do Pará e Amazonas. 

Uma informação interessante que não podemos deixar de falar é que no município de Chaves, no estado do Pará, existe um projeto sócio ambiental chamado Pirarucu da Mexiana

De tradição familiar, este projeto cultiva peixes nativos desta espécie utilizando práticas sustentáveis e promovendo ações que conservam e estabilizam ecossistemas em status de ameaça.

Além de reintroduzir exemplares ajudando no equilíbrio da espécie em seu bioma natural, este projeto fomenta a geração de renda de 3 comunidades da região, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico da ilha de Mexiana/ Marajó. 

Gostou de conhecer um pouco mais sobre os peixes da Amazônia? 

Então, não deixe de dar um pulinho na seção de Receitas da Amazônia para aprender a fazer um delicioso Peixe com crosta de castanha do Pará e Puxuri

Publicado em 2 comentários

Você já conhece a Cachaça de Jambu?

cachaça de jambu shot

A cachaça de jambu é uma bebida autêntica brasileira que é um invento do empresário Léo Porto, proprietário do famoso bar Meu Garoto, que fica no estado de Belém. 

A ideia de unir a aguardente de cana-de-açúcar e o jambu, uma planta típica da região norte do Brasil, resultou em uma bebida diferente de qualquer outra no mundo. 

Afinal, ela traz uma sensação única de dormência em toda a boca, que é o efeito do espilantol. Este composto, também considerado afrodisíaco, é o que faz o jambu proporcionar esta sensação de formigamento que amortece nossos lábios. 

Neste artigo, vamos falar um pouco sobre a história da cachaça no brasil, e contar sobre o processo de criação da deliciosa cachaça de jambu! Vem com a gente!

História da Cachaça no Brasil

A história da cachaça no Brasil nos transporta para a época do início da colonização. Ou seja, são cerca de 500 anos de história!

Apesar dos registros sobre este assunto serem escassos, acredita-se que a primeira cachaça foi feita entre 1516 e 1532. 

Assim que os portugueses começaram a trazer a cana-de-açúcar para ser cultivada em terras brasileiras, alguns engenhos começaram a ser construídos no litoral do país. 

Contudo, não se sabe ao certo em qual dos engenhos foi produzida a primeira “marvada” (um dos nomes dados para esta bebida). 

O que se sabe é que os portugueses já conheciam as técnicas de destilação, pois costumavam fazer destilados de frutas. Mas, em algum momento, resolveram aplicar esta técnica no caldo da cana-de-açúcar. 

O sucesso desta bebida foi tanto que em 1660 houve a Revolta da Cachaça, onde os produtores da aguardente foram protestar contra os altíssimos impostos que os portugueses estavam cobrando. 

Uma curiosidade interessante que talvez você não saiba é que no dia 13 de setembro é comemorado o dia internacional da cachaça! Afinal, esta bebida tem grande importância histórica e econômica para o Brasil. 

cachaça de jambu caipirinha
Cachaça com Jambu

Como surgiu a Cachaça de Jambu

O proprietário do boteco Meu Garoto, Leo Porto, sempre observou as infusões com bebidas alcoólicas que seu pai realizava.

Inspirado nisso, ele também buscou fazer novos sabores de destilados com diferentes frutas típicas do Pará. Mas, foi em 2011 que Leo incorporou o espírito do “amazone-se” e fez uma infusão de aguardente com jambu. 

O resultado você já pode imaginar, né?? Sucesso total! Além de atrair mais clientes super interessados em experimentar a sensação única proporcionada por esta bebida, a cachaça de jambu também chamou a atenção de chefs renomados do Brasil.

Utilizada não só na produção de drinks, mas também na cocção de alguns pratos, a demanda aumentou tanto que a produção artesanal não estava conseguindo atender a todos. 

Por isso, ele resolveu ter sua própria plantação de flor de jambu, e inaugurou sua fábrica para produzir em maior escala. 

Apesar de haver outras marcas de cachaça de Jambu no mercado, a marca Meu Garoto é a pioneira e é claro que você pode encontrá-la na nossa loja! 

Se você ficou interessado em saber mais curiosidades sobre o Jambu e suas propriedades tão peculiares, então confira no nosso blog o artigo “Jambu faz bem para saúde”. 

Ficou curioso para experimentar esta cachaça tão diferentona?? Então, clique no botão abaixo e compre agora a sua! 

Publicado em Deixe um comentário

Aniversário de São Paulo: restaurantes com comida amazônica na cidade!

ponte-em-são-paulo

A cidade mais populosa do Brasil está completando 468 anos neste mês de Janeiro. Mas, a programação para comemorar o aniversário de São Paulo precisou passar por algumas alterações. 

Como alguns feriados de 2022 foram antecipados pelo prefeito de São Paulo na tentativa de colaborar com o distanciamento social no ano passado, o dia 25 de Janeiro deste ano será dia útil (sendo ponto facultativo para empresas e lojistas). 

O tradicional evento Troféu Cidade de São Paulo, que abre as portas para as comemorações e festividades desta data, ocorreu dia 23 de Janeiro este ano, já que dia 25 será dia laboral para muitas pessoas. 

Neste artigo, em homenagem a São Paulo, vamos contar um pouquinho de sua história e dar algumas dicas de onde você pode encontrar restaurantes com comida amazônica na cidade para conhecer e comemorar este aniversário tão especial. 

Vem conferir!

museu-de-arte-de-são-paulo
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Fonte: Canva Pro

Breve história da cidade de São Paulo

Em 1554 ergueu-se um colégio jesuíta com o objetivo de catequizar os indígenas da região do Planalto de Piratininga. 

Sob a liderança de alguns padres, como Manuel de Nóbrega e José de Anchieta, a inauguração deste colégio, que ocorreu dia 25 de Janeiro, serviu de marco para a fundação da cidade de São Paulo. 

Seu nome é em homenagem ao apóstolo Paulo de Tarso, que se converteu ao cristianismo na mesma data. 

Considerada uma das cidades mais globalizadas do planeta, São Paulo exala uma riqueza cultural sem igual. Afinal, ela foi o destino de muitos imigrantes do mundo inteiro que buscavam por melhores condições de vida e trabalho. 

Essa grande miscigenação resultou em uma capital que se tornou um centro cultural, político e econômico, muito importante para o nosso país. 

Além disso, São Paulo atrai muitos turistas todo o ano por sua imensa variedade de passeios, parques, restaurantes, museus, exposições…

Pensando em vocês, nossos queridos clientes e seguidores que possuem interesse em gastronomia, separamos algumas sugestões de restaurantes em SP que oferecem pratos com ingredientes tipicamente amazônicos. Confira agora!

cidade-de-são-paulo
São Paulo
Fonte: Canva Pro

Restaurantes com comida amazônica em São Paulo

Para começar com o pé direito, vamos falar de um restaurante que já faz sucesso em Manaus e, agora, possui uma filial em São Paulo, o Banzeiro

O Chef Felipe Shaedler, especialista nesta culinária, resolveu levar para São Paulo as delícias do Norte e montou um menu especial com opções como: 

  • Camarão e pirão (camarão na brasa, pirão de tucupi, cogumelo, ora-pro-nobis e pimenta baniwa);
  • Lombo de tambaqui na brasa (com pirão de tucupi, creme e chips de cogumelos);
  • Costelinha de tambaqui agridoce;
  • Arroz caboclo (arroz com tucupi, pirarucu curado e camarão assado na brasa). 

Outra opção, se bater aquela vontade de comer uma comida típica paraense, é o restaurante Marahu. Além das entradas deliciosas como a unha de caranguejo, o menu também possui opções de pratos principais como:

  • Tacacá;
  • Arroz Paraense (arroz temperado com tucupi e jambu, recheado com camarões);
  • Vataçoba (uma mistura do vatapá com a maniçoba);
  • Arroz de Pato;

Também não podemos deixar de falar de outro parceiro muito especial, além do Marahu, que é o restaurante Casa Tucupi. Seu delicioso cardápio conta com pratos como: 

  • Baixaria (prato típico acreano que leva cuscuz, carne moída, salada de tomate e ovo frito);
  • Arroz com três cogumelos (arroz cozido no tucupi com cogumelos Paris, Shimeji e Shitake);
  • Costelinha de Tambaqui com baião de dois e farofa;
  • Moqueca de banana com Palmito Pupunha;

O Amazônia Soul também é outro local em SP que oferece comida típica do Pará. Desde 2018 este restaurante prepara receitas autênticas da região norte, como: 

  • Vatapá Paraense;
  • Maniçoba (feijoada amazônica);
  • Tacacá;
  • Porco com Arroz de Jambu;

E aí? Gostou de todas estas dicas de restaurantes para conhecer no dia do aniversário de São Paulo?

Aproveite que só esta semana (do dia 24/01/2022 ao dia 30/01/2022) o Frete para a região de São Paulo é GRÁTIS! Isso mesmo!! 

FRETE GRÁTIS para a região de São Paulo!! Não perca esta oportunidade!!

Publicado em Deixe um comentário

Jambu Sinimbu aposta no tremor que provoca sensações inesquecíveis

Conserva de flor de jambu, cachaça de jambu e o concentrado de jambu “Tremidão” são os principais produtos da empresa paraense Jambu Sinimbu, cuja missão é simplesmente “tremer o mundo”, causando sensações inesquecíveis a quem ainda desconhece o efeito incrível dessa planta amazônica chamada jambu. Quem conta essa história de sucesso é a arquiteta e proprietária da empresa Tatiana Sinimbu.

Tudo começou quando seu amigo estilista Ronaldo Fraga encomendou flor de jambu para enviar de presente para uma amiga famosa. Isso aconteceu em 2016 e foi fundamental para que Tatiana desse o pontapé inicial na sua carreira produzindo e vendendo produtos à base de jambu.

A pessoa famosa era nada mais nada menos que a jornalista Marília Gabriela. Tatiana entrou em pânico porque não sabia como enviar a flor de jambu de forma que chegasse boa e poder ser consumida sem problema. “Isso não vai chegar nunca bom lá, vai chegar horrível, dez dias de correio, não vai dar certo isso”, pensou.

O primeiro grande desafio

Conserva de flor de jambu

Mas como não existe empreendimento sem desafio, Tatiana voltou para sua casa decidida a encontrar uma solução para enviar a flor de jambu. “Foi quando eu criei o meu primeiro produto, a conserva de flor de jambu. Eu peguei as flores e coloquei em conserva e assim eu consegui dar durabilidade e praticidade ao produto.

Ela enviou para todo mundo provar com várias receitas diferentes até chegar naquela que considerou ideal e que é utiliza até hoje.

Empolgada, Tatiana disse ao amigo que tinha achado a solução e que já queria criar uma marca com o seu sobrenome Sinimbu. Ronaldo Fraga achou a ideia maravilhosa e se ofereceu para criar a logomarca para a sua invenção. “Ele foi a pessoa que mais me incentivou com provocações a criar produtos com jambu, porque era isso que as pessoas queriam”, conta.

Demanda por jambu levou à criação da empresa

Tatiana Sinimbu, arquiteta e empresária

“A Jambu Sinimbu nasceu no meio de um aglomerado de coisas que estavam acontecendo na minha vida, mas principalmente de uma demanda por jambu que me rondava o tempo todo”. Ela se refere aos seus amigos de outros estados, que pediam jambu e ela dava um jeito de fazer isso, apesar de ser trabalhoso.

Antes de criar a conserva, jambu era um ingrediente que as pessoas queriam muito e ela sempre se via no mesmo dilema: Como enviar esse o jambu de forma eu chegasse bom?

Tatiana, então, passou a olhar essa demanda como uma oportunidade de negócio. Por gostar de divulgar as coisas do Pará e da Amazônia, conhecer muita gente e ser bastante comunicativa, amigos sugeriram que ela trabalhasse com turismo.

“Hoje em dia, eu vejo que se fechou um ciclo na minha vida e nasceu outro muito melhor. Eu achava que eu amava o meu ciclo passado, mas, realmente, eu amo o atual. Eu achava que aquilo era amor, mas amor, realmente, eu estou descobrindo agora pela Jambu Sinimbu”, revela. Mas ainda não largou a Arquitetura totalmente.

Depois que a flor de jambu em conserva ganhou credibilidade, começaram a perguntar se ela não produzia cachaça também.

E veio a cachaça de jambu com toque feminino

Cachaça de jambu

Foi mais uma provocação. Tatiana decidiu, então, fazer uma cachaça mais suave e mais feminina porque a que existia no mercado muito forte. Foi aí que ela teve a ideia de usar o cumaru, uma especiaria que considera chique e que faz parte do Chanel Nº 5 e de muitos perfumes famosos. “Meu toque feminino na cachaça foi o cumaru, tornando-a um pouco mais suave e agradável”, comemora.

A partir daí, ela começou a viajar e a levar a flor de jambu em conserva e a cachaça principalmente para Belo Horizonte. “Até me apelidaram de traficante de jambu, porque eu chegava com uma mala só jambu e o pessoal todo já me esperava na porta, desesperado pelo produto” relata.

E nesse vai e vem, acabou recebendo a terceira provocação: e se isso fosse usado no sexo? “Essa foi a minha terceira obsessão”, confessa, “eu fiquei louca. De que forma eu ia resolver isso?”.

Tremidão, o afrodisíaco amazônico

Tremidão, o afrodisíaco amazônico

Não tardou, e ela conseguiu. “Cheguei no produto que eu mais amo, sou apaixonada, enfim, que se chama “Tremidão”, que pode ser usado como afrodisíaco em função do tremor que o jambu provoca. O produto também é vendido pela flordejambu.com e faz o maior sucesso.

“O Tremidão é um concentrado de jambu, que se transformou no amor da minha vida. É uma gota da Amazônia que leva a sensação do jambu com praticidade para uma experiência única. Ele pode ser usado no corpo, no sexo, no drinque, onde você quiser, o céu é o limite. Só com um litro de jambu consigo fazer milhares de pessoas sentirem a sensação do jambu”, explica Tatiana.

A intenção da empresária é levar a experiência da floresta para o maior número de pessoas. “Eu quero que as pessoas tenham 0,01% da experiência de viver na floresta em Belém do Pará. Por isso “Uma gota da Amazônia para uma experiência única” é o slogan do Tremidão.

Depois do Tremidão, outros produtos foram lançados. “Mas tenho, pelo menos, mais uns 15 produtos na minha cabeça, alguns inclusive já até desenvolvidos, faltando apenas ser lançados”, adianta, ressaltando, no entanto, que mantém o pé no chão e sobe um degrau de cada vez.

A Jambu Sinimbu está completando cinco anos. Foi criada em 2016 com o objetivo de levar o jambu de forma prática e durável para os quatro cantos do mundo.

Tatiana Sinimbu busca aperfeiçoamento profissional

O interessante é que até o momento, Tatiana ainda não investiu pesado em publicidade, os resultados têm vindo mais da divulgação informal boca a boca feita, principalmente, pelos amigos e clientes. No entanto, ela reconhece que está na hora de começar a investir mais em mídias digitais e não se limitar apenas ao Instagram, uma vez que as redes sociais são fundamentais para expandir os seus negócios.

Para organizar melhor a sua empresa, ela está fazendo Metrado Profissional em Engenharia Química Industrial na Universidade Federal do Pará (UFPA). A turma é formada por profissionais da área de criação que inventaram alguma coisa dentro da empresa em que trabalham. Dos dez aprovados, ela é a única mulher. “Eu entrei com a minha empresa Jambu Sinimbu e a minha invenção, que é o Tremidão”, informa.

Sua tese de Mestrado tem como tema o Tremidão, mas novas ideias estão surgindo no decorrer do curso. “Eu durmo e acordo pensando em jambu, em criar produtos, em dar soluções para as pessoas. Porque até para resolver problema sexual já me ligaram. Minha cabeça não para”, conta.

Empresa valoriza os pequenos produtores da região

Cheiro do Pará e Tremidão

Um lado que merece destaque é que a Jambu Sininbu, assim como a maioria das empresas parceiras da flordejambu.com, também trabalha com comunidades de pequenos produtores que cultivam jambu.

Ela gosta muito de ter contato com essas pessoas, aprender com elas e trocar experiências. “Por sinal, recentemente, eu fui em uma comunidade nova em Marituba e tive a oportunidade de presentear uma senhorinha com um frasco de Tremidão depois de ouvir da mulher que ela estava na menopausa e não aguentava o seu marido reclamando. “Dei pra ela e disse: use isso com seu marido e depois me conte. Agora eu tô megacuriosa de voltar lá pra saber no que deu o Tremidão lá com a senhorinha. Eu acho o máximo isso, eu amo”.

Apesar da brincadeira, Tatiana ressalta que o Tremidão é um estimulante sexual e não um medicamento, por isso, as mulheres em menopausa como a senhora citada devem procurar atendimento médico para superar essa fase da vida de forma mais saudável.

Tatiana Sinimbu considera a flordejambu.com uma das maiores parceiras da Jambu Sinimbu “porque divulga, comercializa os meus produtos e  valoriza a nossa Amazônia”, conclui.

Texto: Roberta Vilanova

Publicado em 1 comentário

Deveras Amazônia, as delícias que vêm da floresta

Idealizada por biólogos, a Deveras Amazônia defende o meio ambiente e respeita a cultura local

Quando a ciência se une à tradição, maravilhas acontecem. E a maior prova disso é a Deveras Amazônia, uma empresa de Santarém, no Pará, que desde 2018 mantém a produção artesanal de geleias, conservas e licores com sabores amazônicos.

Idealizada por três biólogos com Doutorado, Rosa Mourão (Doutora em Ciências Biológicas); Valéria Mourão (Doutora em Biotecnologia) e Cláudio Monteiro (Doutor em Ecologia), a Deveras Amazônia faz o que toda empresa da região deveria fazer, preservar a floresta, valorizar a cultura e ajudar os pequenos produtores.

Valéria, que é sobrinha de Rosa e esposa de Cláudio, conta que a empresa nasceu da paixão deles por doces e pela floresta. “Morar na Amazônia foi o começo de uma história de amor. A riquíssima biodiversidade e capacidade de manipular sabores e saberes instigou a nossa criatividade e o desejo de empreender e começar a nossa própria produção”.

O primeiro produto da empresa foi a geleia de camu-camu, um fruto nativo da região amazônica, riquíssimo em vitamina C. Ainda é desconhecido de muita gente e pouco utilizado para fins comerciais

Para se ter uma ideia do desconhecimento do seu valor, nas comunidades da região Oeste do Pará, o fruto estraga por falta de mercado. “Foi pensando em agregar valor e utilizar o potencial nutricional do fruto que iniciamos a nossa produção”, relata.

Saberes científicos potencializam os insumos naturais

Dulce, Rosa, Marlene, Valéria e Cláudio

E foi com o objetivo de mostrar o verdadeiro valor da floresta em pé que os três empreendedores escolheram o nome da empresa. Pois “deveras” significa “algo verdadeiro” de confiança. “Somos três pesquisadores em busca de agregar valor aos produtos amazônicos”, afirma.

Mas como que se faz isso? Valéria explica: “Para a Deveras Amazônia, tão importante quanto o conhecimento tradicional é o trabalho científico. Aliar os dois é ter o melhor das pesquisas e conhecimento da alquimia por trás dos insumos naturais para, assim, potencializar o melhor de nossas sementes, raízes, ervas e frutos”.

Além de aproveitar os insumos com a ajuda da ciência, a Deveras tem um relacionamento especial com a cultura, meio ambiente, comunidades locais e pequenos produtores.

Empresa valoriza os pequenos produtores

Segundo Valéria, o compromisso da empresa é desenvolver a economia da Amazônia nos âmbitos social, cultural, ambiental e financeiro. “Pois, além do dinheiro, existem trocas de valor quando se envolve pessoas, ancestralidade e natureza”.

Para isso, a Deveras adquire os frutos e ervas sempre de pequenos produtores, com os quais procuram manter um relacionamento para entender a real necessidade de cada um deles.

Os empreendedores visitam as comunidades para conhecer e entender a relação do produtor com os frutos e proporcionar uma troca de conhecimentos entre fornecedor e empreendedor. “Sempre debatemos com eles sobre a preservação do meio ambiente, a importância do consumo do fruto em sua época, a função ecológica do fruto, e incentivamos e respeitamos essa relação”, explica.

O camu-camu, por exemplo, é uma planta que brota na beira do rio. Quando o rio enche, os frutos caem na água e servem de alimento para o boto e o tambaqui, por isso, a comunidade local só colhe o suficiente para a produção para que os animais não fiquem sem alimento.

Oficina de geleias realizada em comunidade de Santarém

Os biólogos da Deveras também colaboram com pesquisas científicas em produtos que a comunidade comercializa, repassam orientação sobre boas práticas alimentícias, realizam oficinas de geleias e licores, respeitam a safra de cada fruto e procuram manter os produtos da Deveras o mais natural possível para que o consumidor sinta o verdadeiro sabor da Amazônia

Incentivo ao consumo com consciência socioambiental  

Outra proposta da Deveras é incentivar os consumidores a terem consciência socioambiental. Valéria também explica: “Consumir com consciência social e ambiental é estar atento aos produtos que você adquire. Saber de onde vem, qual sua origem, ter consciência dos impactos que ele pode causar, qual a matéria-prima que foi utilizada, se é a partir do uso sustentável dos recursos naturais”,

Ela ressalta que o consumidor precisa saber que as matérias-primas originárias a partir do uso sustentável de recursos naturais de biomas como, por exemplo, o bioma amazônico, geram emprego, renda e inclusão social das famílias de pequenos produtores que vivem da exploração desses insumos.

“Para pessoas sensibilizadas que consomem produtos com consciência social e ambiental, a Deveras apresenta a combinação de saberes da floresta para gerar produtos amazônicos que unem ciência e tradição em seus preparos”, garante a empreendedora.

Vitória-régia, do rio para o prato do consumidor

Um dos produtos mais incríveis da Deveras e que desperta a curiosidade do consumidor é, sem dúvida, a vitória-régia em conserva. Sim, aquela planta aquática típica da região amazônica que tem até lenda.

Para produzir a vitória-régia em conserva, a empresa conta com a parceria da dona Dulce Oliveira, que tem uma plantação desse vegetal no quintal da sua casa no Canal do Jari, uma comunidade localizada perto de Alter do Chão, em Santarém. O cultivo começou em 2014 e atualmente dona Dulce tem um verdadeiro jardim aquático com131 plantas.

Dona Dulce e sua plantação de vitória-régia

A vitória-régia é comestível e dona Dulce começou a criar pratos com a planta, o que atraiu muitos turistas para conhecer o seu trabalho e fazer degustação. “Dulce sabia que precisava do respaldo da ciência, então ela queria que a universidade pesquisasse a planta e fornecesse dados científicos para que as pessoas confiassem naquele tipo de alimento”, conta Valéria.

As análises em laboratório mostraram que a planta tem atividade antioxidante e é rica em proteínas e fibras. “Um produto especial que traz um dos maiores símbolos da nossa Amazônia”, afirma Valéria.

Então, em 2019, foi firmada a parceria científica e comercial, levando ao lançamento da conserva de vitória-régia, feita com o pecíolo, uma espécie de caule que fica submerso “Aliás, a conserva e geleia de vitória-régia juntamente com a geleia e conserva de flor de jambu, geleia de pupunha e licor de chicória são os produtos que chamam mais a atenção do consumidor”, ressalta.

Deveras Amazônia aposta na venda por meios digitais

Antes da pandemia de Covid-19, a Deveras fazia vendas presenciais no seu local de produção, padarias, empórios e restaurantes. Participava de eventos de culinária, negócios sociais e iniciativas que apoiam e defendem o desenvolvimento econômico com a floresta em pé. E também já utilizava as redes sociais e aplicativos de vendas de alimentos para comercializar os seus produtos.

No entanto, com a pandemia, o meio digital tornou-se a principal maneira de divulgar e vender tudo que produzem, contando com parceiros de divulgação que estão alinhados com o seu propósito.

“Nosso produto era consumido mais por turistas e tivemos que fazer adaptações melhorando nossas redes sociais, trazendo o negócio mais para o digital, sem o contato direto que antes tínhamos com público na nossa cidade. Fizemos algumas vendas para outros estados para clientes finais que queriam a experiência de provar produtos amazônicos durante a quarentena”, relata Valéria.

Parceria dá visibilidade aos produtos fora do Pará

Uma parceria que vem dando certo desde 2018 é com a flordejambu.com, quando a Deveras estava com apenas seis meses funcionamento. “A flordejambu.com foi nossa primeira parceria em São Paulo, foi ela que abriu as portas para que pudéssemos enviar nosso produto para outro estado e dar uma visibilidade que não tínhamos”, comemora Valéria.

“Eles acreditaram nos nossos produtos e nas pessoas que temos por trás do nosso trabalho. Por meio da flordejambu.com nós já fechamos outras parcerias, eles são uma ponte para que possamos vencer a barreira e escoar os produtos amazônicos”.

Ela revela que a parceria com flordejambu.com vai muito além do comercial, pois é uma empresa que entende a missão da Deveras e, por isso, estão em completa sintonia. “Eles valorizam os produtos da sociobiodiversidade, entendem a nossa capacidade de produção e a necessidade de termos produtos sazonais”, explica.

Valéria e Rosa Mourão
Valéria e Rosa Mourão

Valéria conta que a flordejambu.com acompanhou a jornada da Deveras e foi peça fundamental para a mudança dos rótulos dos produtos em 2020, ajudando com as informações nutricionais de cada um deles. “Nós amamos essa parceria que já virou uma amizade, somos admiradores da forma como eles nos representam e dos demais produtores que fazem parte desse projeto incrível”, afirma.

A Deveras Amazônia também é um campo de ensino e pesquisa. Além dos três pesquisadores, lá atua a bolsista do curso de Administração da Unama Centro Universitário da Amazônia (Unama), Fernanda Castro, dois estagiários do curso de Técnico em Alimentação da Escola Técnica do Estado do Pará, e uma estagiária do curso de Biotecnologia da Ufopa. Todos já estão trabalhando para o lançamento de novos produtos no mercado. Farinhas de frutos amazônicos e chás são algumas possíveis novidades ainda para 2020.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Deveras e flordejambu.com

Publicado em 4 comentários

Manioca revela o segredo do tucupi preto

Conheça também a história da marca que valoriza a cultura e os sabores amazônicos

Molho de Tucupi Preto

O molho de tucupi preto foi o grande lançamento da Manioca em 2016. E isso só foi possível porque Joanna Martins, uma das sócias da empresa, apesar de não cozinhar, pesquisa muito sobre comida, afinal, nasceu numa família de excelentes cozinheiros, que tem contribuído para a divulgação da culinária paraense desde a década de 70.

Joanna Martins é graduada em Administração e Publicidade e divide com o bacharel em Direito Paulo Reis a direção da Manioca, a marca que fabrica e comercializa produtos alimentícios artesanais com alto padrão de qualidade e segurança alimentar.

A partir da descoberta, a Manioca passou a produzir o Molho de Tucupi Preto, um dos produtos vendidos pela Flor de Jambu, a loja virtual que comercializa produtos e ingredientes amazônicos e contribui, assim como a Manioca, para a difusão dos sabores amazônicos pelo Brasil e pelo mundo.

Vejam o que a Joanna descobriu

Ela conta que a maior fonte de informação histórica sobre a cozinha paraense são os relatos dos viajantes. “Acho que por serem portugueses e gostarem de comer, relatam muito sobre alimentação. E eu encontrei um escrito de 1789, que falava do tucupi preto, também chamado de tucupi Pixuna, que é o nome indígena dele”.

De acordo com a empresária, os relatos revelam que era um sabor muito especial e isso despertou a curiosidade da empreendedora. “De onde vem? E cadê esse produto que a gente não conhece mais?”, questionava Joanna Martins.

Até que em 2015, ela descobriu uma pessoa que sabia fazer o tucupi preto e firmou uma parceria. “Não é um produto muito complexo. Na verdade, é uma redução extrema do tucupi amarelo até virar uma pasta. Até hoje, a parceira faz a pasta do tucupi preto e a gente produz o molho”, revela Joanna Martins.

Sabor intenso

Segundo Joanna Martins, a pasta é muito interessante para o chef de cozinha porque tem um sabor intenso, no entanto, não é muito fácil de ser usado pelo consumidor final. “Então, a gente desenvolveu o molho de tucupi preto para facilitar o uso por consumidores que querem praticidade no dia a dia”, explica.

“O molho de tucupi preto pode substituir o Shoyo e o Molho Inglês. As vantagens dele é que é cem por cento natural, diferente da maioria dos shoyos que há no mercado nacional. Tem cinco vezes menos sódio do que o shoyo comum, é superversátil em termos de sabor. Por ser um pouco mais suave, funciona muito bem com todos os tipos de proteína, além dos legumes e cogumelos”, detalha.

Ela revela também que a substituição do shoyo foi uma coincidência, pois o objetivo da Manioca era apenas fazer o molho a partir do tucupi preto. Foi o consumidor que começou a comparar o sabor “lembra shoyu”, “parece molho inglês”. “E a gente, então, começou a testar o uso em substituição e funcionou muito bem. Hoje, tem cliente nosso que até no sushi usa o molho de tucupi preto no lugar do shoyo. É uma questão de adaptação e de paladar também”, diz Joanna Martins.

Tucupi tem validade de até um ano sem refrigeração

Tucupi paraense tradicional (Foto Tereza e Aryanne

Segundo Joanna Martins, o tucupi tradicional, amarelo, que todo mundo conhece, é o começo dessa história porque, mesmo antes da Manioca existir, ela já se incomodava muito com a falta de padrão do produto. “O tucupi é um produto superemblemático da nossa culinária, mas nunca ninguém deu muita atenção a ele, talvez por ser tão comum para os paraenses. Porém, ele é um produto superdelicado”, afirma.

Joanna Martins acredita que pelo fato de o mercado local não ser muito exigente, acaba aceitando produtos com variação muito grande, inclusive de um mesmo fornecedor. “Por isso a gente encontra tucupi mais doce, mais ácido, mais azedo, mais aguado, mais concentrado e as pessoas não estão preocupadas com isso, elas compram”, explica.

Entretanto, não é assim que acontece no mercado nacional. “Quando a gente põe uma marca, o consumidor espera o padrão de uma marca. Se vai comprar um katchup de determinada marca você quer que ele seja sempre igual. Então, nós sempre nos preocupamos com isso e hoje temos um produtor parceiro”, conta Joanna Marins

Desafio

Ela explica que o tucupi é um produto que tem muitos fatores que podem influenciar na sua variação, desde a mandioca que é usada a detalhes do processo. E um dos maiores desafios que a Manioca encontrava no tucupi era a questão da conservação.

Desde o princípio, a empresa comercializava o tucupi congelado porque no mercado local as pessoas compram o tucupi para consumir num fim de semana ou em 15 dias no máximo, não havendo necessidade de um período maior de conservação.

No entanto, para vender para o mercado nacional já é diferente. Segundo Joanna Martins, o produto que existe no mercado em geral tem uma durabilidade máxima de 30 dias em refrigeração, fora da refrigeração não chega a 15 dias. Isso era um obstáculo. “Na verdade, o tucupi não estraga. Por ele ser um produto ácido, o estragar dele é se tornar mais ácido. Ele não estraga a ponto de fazer mal, mas fica ácido demais”, revela.

Por isso, muita gente acrescenta açúcar, outras colocam glutamato de sódio, o que, segundo Joanna, é um problema. “O produto ideal é aquele que está num nível de acidez média (uns gostam de um pouquinho mais ácido, outros mais doce, dependendo de onde for), mas tem um ideal ali no meio”, comenta.

Inovação

Tucupi tradicional

A boa notícia é que a Manioca conseguiu desenvolver uma técnica de manter o produto estável na questão da acidez por até um ano. “Foi uma inovação que alcançamos, que conserva o tucupi, por até um ano, sem precisar de refrigeração ou qualquer tipo de aditivo químico, que é o mais importante e é uma bandeira da Manioca: trabalhar com alimentos naturais. “Foi só uma questão de conhecer mais a fundo o processo aliando com o conhecimento da tecnologia de alimentos”, conta Joanna Martins.

Com esse avanço, a Manioca conseguiu chegar mais longe com o tucupi. Hoje, o produto está nos supermercados sem precisar da cadeia de frio, que é bastante delicada, e consegue diminuir todos os impactos ambientais porque a empresa deixa de trabalhar com isopor que é um grande poluente. Isso também reduziu os custos com frete aéreo porque o produto pode ser enviado por transporte rodoviário. Sem a necessidade de refrigeração também há redução de consumo de energia. “A gente resolveu uma questão que refletiu em várias outras”, comemora.

Atualmente, a produção mensal de tucupi da Manioca varia de uma e meia e duas toneladas. A empresa fornece para cerca de dez estados, porém o consumo maior é em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Nova granola de tapioca com sabor de Amazônia

Granola de tapioca, novo produto da Manioca

Sempre de olho no mercado em expansão, a Manioca acabou de lançar, mais um produto, a granola de tapioca, porque, segundo Joana Martins, ao contrário da geleia, por exemplo, que não é muito consumido no Brasil, a granola está presente no cotidiano das pessoas que se preocupam com a saúde. “Esse é um dos alimentos naturais que, de alguma forma, pode trazer saúde para as pessoas”, comenta.

A proposta da Manioca é oferecer aos consumidores um produto realmente natural e saudável, pois, muitas granolas disponíveis no mercado não são exatamente o que se pensa. “As pessoas acham que estão consumindo saúde, mas, na verdade, estão consumindo muita química”, alerta Joanna Martins.

Ao observar que o consumidor já vem usando a tapioca em substituição a outros tipos de carboidrato, a Manioca viu na tapioca o ingrediente ideal para unir com cumaru, cupuaçu e castanha-do-Pará e produzir uma granola mais natural e com sabores regionais. “A gente reuniu elementos e sabores da Amazônia nesse produto, que tem tudo para entrar no dia a dia do consumidor”, ressalta.

A empresa paraense também está trabalhando na criação de novos temperos e molhos, porque é uma forma mais simples e natural de levar os sabores amazônicos para o dia a dia do consumidor.

Empresa defende desenvolvimento sustentável

Todas as geleias, granolas e temperos são produzidos na sede da Manioca, em Belém, enquanto os produtos tradicionais, como o tucupi, vêm de fornecedores locais que recebem orientações técnicas e participam de capacitações para manter o padrão e a qualidade exigidos pelo mercado.

Em geral, são pequenos produtores, de agricultura familiar, que precisam de apoio para se desenvolver. “Infelizmente, as instituições públicas ainda apoiam muito pouco esses produtores”, observa Joanna Martins, ressaltando que em alguns casos, a Manioca tem conseguido fazer a conexão desses produtores com essas instituições.

“Entretanto, apoiá-los também é uma missão nossa para que eles se desenvolvam e cresçam junto conosco porque a Manioca quer que o mundo conheça os sabores da Amazônia, mas entende que também deve ser um vetor de desenvolvimento sustentável para a região. Não adianta a gente fazer para o mundo conhecer nossos sabores se não for para apoiar tanto a conservação da floresta quanto as pessoas que vivem aqui”, argumenta Joanna Martins.

Agora saiba como tudo começou

Anna Maria Martins e Paulo Martins

Não é de hoje que Joanna Martins tem amor e carinho pelos ingredientes amazônicos. Pois ela é filha do chef Paulo Martins, reconhecido nacionalmente como Embaixador da Cozinha Paraense, falecido em 2010, e neta de Anna Maria Martins, uma quituteira de mão cheia, fundadores do Restaurante Lá em Casa, hoje gerenciado pela irmã de Joanna, a chef Daniela Martins.

A história começou quando a avó de Joanna Martins e seu pai fundaram o restaurante em 1972. “Ela era quituteira, fazia eventos, pratos, doces e salgados para fora. Os dois acharam que abrindo um restaurante seria mais tranquilo. Hoje, a gente sabe que não, cozinheiro quer fazer evento, e não ter restaurante, mas na época se pensava assim”, relata.

Desde o começo, a proposta do restaurante era trabalhar a cozinha caseira, que envolvia pratos da culinária tradicional paraense, como pato no tucupi, maniçoba, caranguejo, pirarucu. No entanto, naquela época, não havia oferta desses produtos no mercado. Assim, os poucos restaurantes que havia em Belém, cerca de quatro, trabalhavam com cozinha internacional, como a francesa e a portuguesa.

Fato inusitado

Como os turistas não conheciam essas comidas tradicionais, o Lá em Casa ganhou destaque entre esse público e a mídia da época. “Foi destaque em várias revistas nacionais e internacionais. Minha avó estava sempre à frente do negócio, na cozinha, e também recepcionando, ela era uma hostess muito simpática. Isso também atraia muito, porque restaurante é isso”, diz Joanna Martins.

Porém, um dia algo inusitado e desafiador aconteceu na cozinha dos Martins, que fez Paulo Martins se encantar pela arte de cozinhar. “Até então, o meu pai, que era arquiteto, só se envolvia na administração. Ele era muito criativo e descobriu que podia criar muita coisa na cozinha, onde, até aquele dia, só trabalhava com pratos tradicionais.

Mas o que aconteceu afinal? Bem, Joanna Martins conta que o restaurante tinha um prato chamado “Bacalhau a RM”, criado em homenagem ao jornalista Romulo Maiorana, que era um bacalhau de forno acompanhado de arroz de brócolis. Até hoje o Pará não produz brócolis, portanto, o prato dependia da verdura que vinha de fora.

O problema foi que o brócolis não veio e Romulo Maiorana iria levar ao restaurante dois convidados ilustres, Jô Soares e Boni, para provarem o famoso prato. O desespero tomou conta da dona Anna Maria. Como servir arroz de brócolis sem brócolis? O jeito foi pedir socorro ao filho Paulo Martins: “Paulo, pelo amor de Deus, o que que eu faço? Se eu disser para o Romulo que não tem, vai ser uma grande vergonha”.

Encanto pela cozinha

Hoje, o jambu pré-cozido da Manioca facilita a vida dos chefs

Joanna Martins conta que seu pai abriu a geladeira e viu que o que tinha de mais parecido com brócolis era o jambu. “Cozinhou, picou, fez o arroz, e serviu. Os convidados comentaram que o brócolis daqui era diferente do que eles estavam acostumados, mas que o prato estava uma delícia. E foi aí que o papai se encantou com a cozinha, viu que podia criar e começou a usar os ingredientes tradicionais de forma diferente”,

Na época, ele foi muito criticado localmente por isso, mas, ao mesmo tempo, começou a chamar a atenção do mercado nacional. Alguns cozinheiros, então, passaram a convidá-lo para fazer eventos fora do estado. “Era um momento em que a gastronomia do Brasil começava a se estabelecer, entre as décadas de 80 e 90 e os chefes franceses que tinham vindo para o Brasil incentivavam o uso dos ingredientes brasileiros de formas diferentes”, diz Joanna Martins.

Depois de viajar muito e dar aulas em outros estados, Paulo Martins decidiu que iria trazer as pessoas para Belém em vez de levar os ingredientes. “Ele dizia que levava o ingrediente de uma forma adaptada. Para ele, tomar tacacá no calor das quatro horas da tarde em Belém não era a mesma coisa do que tomar tacacá no frio de São Paulo”, conta Joanna Martins. E foi assim que ele criou, no ano 2000, o Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense.

Interesse nos ingredientes

Com o festival, esse trabalho de divulgação e propagação dos ingredientes amazônicos começou a se disseminar porque as pessoas vinham e se encantavam de fato. “Os chefes que vêm a Belém, que vão ao Ver-o-Peso são como uma criança indo para Disney”, comenta a empreendedora.

Os chefs vinham, conheciam in loco, viam essa cultura toda e queriam usar o produto. “E aí começou a ser um problema porque eles ligavam e diziam “Paulo, eu quero tucupi, eu quero jambu, eu quero cupuaçu e não tinha fornecedor. Até hoje, são poucos ainda. A Flor de Jambu é um desses distribuidores, mas ainda são poucos pelo Brasil. Aí o papai começou a dizer para a equipe do restaurante, pega o isopor, põe tucupi põe não sei o que, manda para o fulano. E isso, desde o ano 2000, era feito dentro do Lá em Casa como um favor”, relata a filha de Paulo Martins.

Como surgiu a ideia do novo negócio

Depois, Joanna Martins foi para São Paulo, graduou-se em Publicidade e Administração, voltou, trabalhou e cresceu no restaurante. Até que percebeu que atender a todas aquelas encomendas dos amigos do seu pai estava prejudicando o funcionamento do restaurante. “Na hora que chegava um pedido, era um transtorno, porque, esse não era o objetivo do negócio”, conta Joanna.

Joanna percebeu que existia ali um potencial de negócio e, em 2014, ela decidiu criar a Manioca, para profissionalizar o serviço de fornecimento de ingredientes para hotéis e restaurantes, porém com a proposta de atender não apenas aos profissionais da gastronomia, mas também ao consumidor final que já demonstrava interesse por esses ingredientes. “Especialmente, porque a mídia já começava a falar mais sobre isso, você ia ao restaurante e consumia, e o hobby pela gastronomia no Brasil também começava a crescer, o que é um movimento bem forte hoje em dia. E aliado a tudo isso, estava a alta do dólar, que ainda permanece, fazendo com que as lojas que vendiam muitos produtos importados começassem a abrir as suas portas para o produto brasileiro”, detalha Joanna Martins.

Por que Manioca?

O nome da empresa vem da “Lenda da Manioca”, envolvendo os índios Tupi, que conta a história do surgimento da mandioca, a raiz da qual são extraídos diversos ingredientes regionais como o tucupi, a farinha e a tapioca, tendo tudo a ver com a proposta da marca.

No entanto, Joanna Martins garante que a empresa não tem a pretensão de ser fornecedora apenas de produtos tradicionais. “Unimos a tradição com a inovação porque acreditamos que a maneira como se consome os alimentos é cultural. Não quer dizer que outros povos vão consumir como a gente consome os nossos alimentos. Por isso, a gente trabalha com os alimentos tradicionais, mas também desenvolve novos produtos com os nossos sabores”.

Produção atual

A Manioca produz e comercializa, atualmente, incluindo o molho de tucupi preto, cerca de 20 produtos entre farinhas, grãos, granola, doces, geleias e temperos, além de um kit presente, mantendo respeito ao meio ambiente e ao produtor e contribuindo com o desenvolvimento da cadeia produtiva local e da gastronomia brasileira.

A criação da empresa foi o caminho que Joanna Martins encontrou para continuar trabalhando com gastronomia e fazer com que esses produtos cheguem mais longe. “Territorialmente, o restaurante é limitado e com a indústria a gente consegue alcançar o mundo todo. É um caminho novo que só existe por causa da história da minha família com a cozinha paraense”, finaliza.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Manioca e flordejambu.com

Publicado em Deixe um comentário

Como transformar um trabalho de faculdade em receita de sucesso

Esta é a história da Fábrica de Biscoitos e Bombons Regionais Delícias da Amazônia, da empresária Simy Tobelem, cujos produtos têm feito bastante sucesso em São Paulo e outras cidades do Brasil.

Biscoitos da Delícias da Amazônia

Rosca e cajuzinho de castanha-do-Pará, casadinho de cupuaçu, beijo de moça, bombom de chocolate recheado com castanha-do-Pará e doce de cupuaçu e bacuri são os principais produtos que dão água na boca de muita gente e agora também podem ser adquiridos na loja Flor de Jambu.

Tudo começou, no ano 2000, quando Simy cursava a Faculdade de Administração e teve que fazer um trabalho, que tinha como objetivo criar uma empresa.

Como sempre gostou de cozinha e de doce, Simy inventou a Fábrica de Biscoitos Delícias da Amazônia. E começou a fazer os biscoitos de castanha-do-Pará e a vender para os colegas de turma. Todo mundo adorou, a professora aprovou o projeto e ela ganhou uma boa nota. Mas que bom que a história não terminou por aí.

“Com o decorrer do tempo, as pessoas passaram a procurar pelo produto. Aí eu comecei a fabricar em casa. Só que um belo dia, minha mãe me expulsou de lá porque não queria uma filha biscoiteira e a casa estava cheia de açúcar, e não era para eu inventar mais nada”, contou Simy, lembrando o início do seu empreendimento no ano de 2001.

Incentivo do pai foi fundamental

Administradora e empresária Simy Tobelem

Na época, seu pai, que já estava doente e acamado, chamou-a e disse: “Simy, tens pinto para dar água? E ela retrucou: “Como assim pai? E ele esclareceu: “Tu tens filho? Tu tens custo com alguma coisa? Porque na última das hipóteses tu tens a tua cama aqui”. O incentivo do pai foi fundamental para que ela decidisse continuar com o seu projeto, que, mais tarde também conquistou o apoio da sua mãe.

O pai também sugeriu que ela providenciasse logo embalagens padronizadas com a gráfica que já prestava serviço à família. “No próprio projeto da faculdade eu já tinha visto o que era necessário para a embalagem como as informações nutricionais, o código de barra, pois tudo isso havia sido analisado”, informou Simy.

Daquele ano até os dias atuais, a Fábrica de Biscoitos e Bombons Regionais Delícias da Amazônia passou por várias etapas. Simy considera que foi até fácil entrar no mercado de Belém por conseguir negociar diretamente com os proprietários dos estabelecimentos, como da Rede de Drogarias Big Ben, cujos donos eram amigos dos seus tios. Então, seus biscoitos passaram a ser comercializados em algumas lojas dessa rede. Na época, ela produzia de forma bastante artesanal apenas 40 quilos de biscoito por mês, o que eram suficientes para cobrir a demanda no grupo de cinco a sete lojas.

Financiamento para expandir a fábrica

Para expandir o seu negócio, Simy conseguiu financiamento do FNO, tendo apenas 22 anos de idade. “O Banco da Amazônia me acompanhou por muitos anos. Com esse financiamento foi possível adquirir equipamentos e utensílios fundamentais para a produção como fornos, batedeiras e formas”, disse a empresária, que, hoje, 18 anos depois, produz quatro toneladas de produtos por mês.

Produtos, que já conquistaram e continuam conquistando clientes em diversos estados brasileiros, como São Paulo, onde tem marcado presença em coffee breaks e diversos eventos.

Além da Big Ben, Simy passou a fornecer para os supermercados do Grupo Yamada, infelizmente, ambos os grupos não existem mais. Hoje, ela abastece duas grandes redes de supermercados, 14 lojas do Grupo Líder; e cinco do Grupo Formosa, com cinco lojas. Fornece, ainda, para os diversos cafés e lojas de conveniência da capital paraense.

Simy atua também na montagem de mesas de café e licor para vários tipos de evento, como 15 anos, casamentos, e ainda produção de salgados congelados para fritar, brigadeiro gourmet e docinhos tradicionais para diversas ocasiões.

Estoque de frutas regionais

A castanha-do-Pará é uma das principais frutas usadas no preparo dos biscoitos

Para evitar falta de matéria-prima para a produção de biscoitos e bombons de chocolate recheados com frutas regionais como castanha-do-Pará, cupuaçu e bacuri, ela mantém estoque congelado para que não falte no período da entressafra. Dessa forma, Simy garante a produção durante o ano inteiro. “Eu uso uma tonelada e meia de cupuaçu por mês, então tenho que me antecipar e garantir a matéria prima para os meus produtos”, informou a empresária.

Ela contou que em 2017, faltou castanha-do-Pará no estado porque toda a produção foi exportada. “Com essa situação, o preço aumentou absurdamente. Uma caixa de castanha de 20 quilos, que hoje eu compro por R$ 400,00 chegou a custar R$ 1.600,00. A vantagem é que tenho bom relacionamento com os meus fornecedores e eles me avisam com antecedência dos problemas permitindo que eu me previna. Então em consegui me antecipar e comprar a quantidade que eu precisava”, disse Simy.

Receitas de família

Segredos não revelados dão sabor especial às receitas de família

Quanto às receitas de todas as delícias que produz, Simy disse que algumas são de família e outras aperfeiçoadas. “Normalmente, as receitas passam pela minha gerente geral Márcia Silva, que é muito boa de cozinha”, afirmou a empresária.

Uma curiosidade é que muitas clientes não se contentam e vão até a fábrica para saber como tudo é feito. Simy mostra, mas não revela todos os segredos das suas receitas. “Senão eu perco o meu cargo de primeiro lugar no mercado”, justificou, sem falsa modéstia.

Apesar da elevada produção, a Delícias da Amazônia conta com apenas oito empregados fixos, porém, em algumas épocas do ano, a equipe ganha reforço com diaristas, como nos meses de outubro, novembro e dezembro. “A partir de outubro, com o Círio de Nazaré, a demanda aumenta cerca de 30% e segue até dezembro com o Natal”, disse Simy.

Visando à exportação

Simy vê seus concorrentes com bons olhos porque observando a qualidade dos produtos dos outros é possível comparar e melhorar cada vez mais os seus. “Hoje, sem falsa modéstia, eu sei que nós somos a melhor fábrica de biscoito como de salgado congelado. Sei que estamos no caminho certo porque estamos sempre buscando a qualidade”, disse Simy.

Fora de Belém, como no Rio de Janeiro e São Paulo, a Delícias da Amazônia prefere atender a pequenos estabelecimentos e não as grandes redes comerciais.

“No Brasil, não é fácil ser empreendedora, a gente trabalha três a quatro vezes mais e a maioria do dinheiro vai embora em impostos. Então, você tem que trabalhar muito sim. Porque vale muito mais a pena você empreender do que ser funcionário de alguém. É cansativo, todo dia tem que matar um leão. Se não matar um hoje, temos que matar dois amanhã. Só com o tempo, a gente consegue enxergar o retorno”.

Por conta da dificuldade em distribuir seus produtos internamente, ela está pensando em ingressar na área de exportação. “Eu acredito que é a única maneira de eu ter um melhor retorno do meu trabalho.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Delícias da Amazônia