Publicado em Deixe um comentário

Farinha Uarini: o caviar da Amazônia!

farinha-uarini

Você já experimentou a Farinha Uarini? Ela também é conhecida como caviar amazônico, pois seus grãos são muito semelhantes às ovas de peixe. 

Feita de mandioca, essa farinha é produzida no município de Uarini, localizado a cerca de 500 km de Manaus. Além de ser a base da alimentação dos caboclos e ribeirinhos, que são os principais produtores, ela possui grande importância econômica para a região. 

Apesar de ser mais popular no norte do Brasil, a Farinha Uarini está conquistando o coração de vários chefs renomados que já estão incluindo em seu cardápio receitas que levam esta iguaria.

Inclusive, o último ganhador do Masterchef Profissionais 2022, Diego Sacilotto, apresentou na prova da semifinal um fígado com purê de cebola, batata soutê e uma farofa feita de Farinha Uarini. 

Além disso, a chef alagoana Giovanna Grossi também levou o caviar amazônico para o Bocuse d’Or, que é um famoso concurso gastronômico internacional. Da Amazônia para o mundo! 

Quer saber mais curiosidades sobre a Farinha Uarini e descobrir como ela é feita? Então, vem com a gente!

A importância da mandioca e seus subprodutos

A mandioca é um dos alimentos mais representativos da gastronomia brasileira. Desde antes da chegada dos portugueses, os indígenas já a cultivavam e a consumiam de diferentes formas. 

Não é à toa que muitos dos processos e instrumentos usados pelas famílias rurais que fabricam seus subprodutos são de herança indígena. 

Por ser uma excelente fonte de energia, ela sempre fez parte da alimentação dos brasileiros e por isso possui uma importância histórica, econômica e cultural. Além disso, a mandioca é extremamente versátil e praticamente 100% aproveitável. 

De suas raízes, por exemplo, podemos produzir diferentes tipos de farinha e também a goma, que usamos para fazer a deliciosa tapioca. Do líquido extraído de suas raízes fabricamos o delicioso tucupi, que é um caldo amarelado e fermentado que possui um sabor único! 

Já de suas folhas é possível produzir a maniva, que é usada na preparação de um dos pratos típicos mais famosos do Pará: a maniçoba! Esse alimento é ou não é uma riqueza para a nossa culinária?

Confira agora como é feita a Farinha Uarini, que é um subproduto da mandioca!

farinha-uarini

Como é feita a Farinha Uarini? 

O primeiro passo para a produção da Farinha Uarini é a retirada da casca da mandioca. Para tornar este processo mais rápido e simples, as raízes são colocadas de molho em água corrente e descansam de 3 a 4 dias. 

Depois de remover as cascas, a mandioca é triturada e vira uma massa. Essa massa é colocada no tipiti, que é uma espécie de prensa que serve para retirar a água e deixá-la bem sequinha. 

Após este processo, a massa precisa passar pela peneira. Só então ela é colocada na bolandeira, que é um instrumento manual feito de madeira, com formato cilíndrico e que deixa os grãos arredondados parecendo pequenas ovinhas. 

Posteriormente, a farinha é colocada dentro do tacho, onde ela vai passar de 40 a 60 minutos torrando. Esta parte da produção é muito importante para garantir o sabor e também a cor amarelo ouro, que é bem característico desse alimento. 

Além de ser deliciosa e nutritiva, pois é uma excelente fonte de carboidrato, essa farinha não possui glúten, sendo uma excelente opção para quem é celíaco.

É importante ressaltar que a Farinha Uarini é fruto de mão de obra familiar e seu processo de fabricação é sustentável e ecológico. Ou seja, os produtores respeitam o ecossistema da região, preservam a integridade do solo e não usam adubos químicos. Uma opção muito mais saudável e natural comparada às farinhas extremamente processadas que encontramos nos mercados. 

Ficou com vontade de experimentar? Então, não perca tempo e garanta agora a sua! 

Publicado em Deixe um comentário

As influências amazônicas no MasterChef 2021

masterchef-brasil-2021

Cozinheiros amadores, chefs e amantes dos realities de gastronomia estão #chateados porque a 8° temporada do Masterchef Brasil acabou!

Não vamos dar nenhum spoiler porque poder haver pessoas que ainda não viram a grande final que foi exibida ontem, dia 14 de dezembro ! Então, pode ler o texto até o final tranquilamente. 

Quem acompanhou esta temporada, que foi super divertida, com participantes de personalidades muito fortes, e provas extremamente desafiadoras, já devem estar ansiosos para a edição do ano que vem. 

Mas, o que viemos falar aqui hoje foi algo que observamos durante todo o programa e que nos deixou bastante felizes: a forte influência de ingredientes amazônicos. 

Vem com a gente conferir uma retrospectiva de todas as provas e pratos que representaram muito bem a culinária da região norte do Brasil!

Boa leitura!

Masterchef Brasil: Prova da Culinária Indígena

A prova de eliminação do episódio 7 teve como tema a Culinária Indígina. Por isso, a convidada especial para participar do júri foi a chef Kalymaracaya, que é pós-graduada em tradição e história indígena. 

Segundo a chef Heleza Rizzo, esta prova teve o intuito de valorizar “os ingredientes genuinamente brasileiros”. Assim sendo, a mandioca, a castanha-do-pará, o tucupi, algumas carnes de caça, e até mesmo formigas como a saúva, foram as opções de alimentos disponibilizados no mercado para a preparação das receitas. 

De acordo com esta proposta, muitos participantes preparam o Hî Hî, que é um bolinho feito de mandioca e servido na folha de bananeira. Se você ainda não leu nosso artigo sobre as diferenças entre os termos mandioca, macaxeira e aipim, então não deixe de conferir!

Outro ingrediente que marcou grande presença nos pratos da maioria dos participantes foi o Tucupi, caldo que se produz a partir do líquido residual das raízes prensadas da mandioca. 

Quer conhecer melhor sobre este ingrediente amazônico super saboroso? Então confira nosso artigo “O que é o Tucupi?”!

tucupi-amarelo
Tucupi

Masterchef 2021: Prova das Iguarias da Amazônia

A prova de eliminação do episódio 18 também representou com excelência a cultura da região norte do Brasil. Isso porque, eles tiveram que reproduzir o prato do chef Felipe Schaedler, especialista em ingredientes amazônicos. 

Apesar de ser do sul do país, o chef Felipe viveu durante um certo tempo na Amazônia e se apaixonou pelos ingredientes desta região.

Por isso, o prato indígena escolhido para a reprodução foi a quinhapira, que consiste em um caldo com tucupi, engrossado com goma de tapioca, servido com peixe cozido e temperado com pimenta baniwa. 

O desafio proposto pelo programa mostrou para todos como é possível preparar pratos maravilhosos de alta gastronomia com alimentos que são a origem da nossa cultura e história. 

Tacacá doce? É isso mesmo produção?

No episódio 16 tivemos o famoso leilão do Masterchef, onde os cozinheiros amadores precisaram disputar os pratos que desejavam cozinhar. 

Com receitas variadas de todas as regiões do Brasil, uma participante que se destacou bastante foi a Isabela. Seu objetivo era preparar algo tendo como referência o delicioso Tacacá, prato amazônico muito comum no estado do Pará. 

tacacá
Tacacá
Imagem Canva Pro

Contudo, o que ninguém esperava era uma versão doce desta receita. Tentando inovar e surpreender os jurados, a participante preparou um sorvete de tucupi com calda de jambu, que foi servido com crumble de camarão seco e goma de tapioca.

Deu ruim?? Não mesmo!! Além de ser extremamente elogiado pelos jurados, o prato ainda foi o ganhador da prova!

É uma pena que acabou! Mas, esperamos que o próximo Masterchef traga outras referências amazônicas que representem tão bem a riqueza gastronômica do nosso país. 

Ficou inspirado para preparar receitas com estes ingredientes, então clique no botão abaixo e conheça melhor nossos produtos!

Publicado em 2 comentários

Segredo Revelado! Mandioca, macaxeira e aipim não são a mesma coisa!!

mandioca_macaxeira_aipim

“Como assim?? Mandioca, macaxeira e aipim não são a mesma coisa? Meu mundo caiu!! Eu sempre pensei que fosse tudo igual?”

Calma querido leitor! Nós vamos te explicar tudinho sobre isso! Esta dúvida, que já virou meme nas redes sociais e até estampa para camisetas, é um assunto polêmico que às vezes gera até discussões. 

Mas, hoje nós viemos te contar as principais diferenças destes termos que são usados para se referir a um tubérculo que é cultivado pelos indígenas bem antes da invasão dos europeus.

Para aliviar seu coração, a notícia que eu tenho para te dar é que a mandioca, a macaxeira e o aipim são todos da mesma espécie. Seu nome científico é Manihot esculenta.

Contudo, elas não são consideradas exatamente a mesma coisa, pois o nível de cianeto é o que distingue cada raiz. 

Vem com a gente conferir as principais diferenças!

mandioca_brava
Mandioca

Mandioca

A mandioca, também conhecida como mandioca brava, possui maior concentração de ácido cianídrico, que é uma substância tóxica para o nosso organismo.

Por esse motivo, o recomendado é consumir produtos derivados que passam por longos processos para a retirada do ácido, como a tapioca, féculas e farinhas.

farinha__de_mandioca
Farinha de Mandioca

Além disso, a mandioca possui muitas fibras. Um simples processo de cozimento não é o suficiente para deixá-la com a textura mais macia, nem mesmo para retirar seu veneno. Por isso, ela não deve ser consumida in natura.

No entanto, a mandioca é a base para muitos pratos típicos da culinária paraense. Inclusive, a folha da mandioca, chamada de maniva, é o ingrediente principal da maniçoba, um prato bastante apreciado no Pará.

Lembrando que é do líquido extraído de suas raízes que se produz o famoso Tucupi, como já citamos em outro artigo aqui no nosso blog. 

Aliás, por seu uso na culinária ser um pouco restrito, a indústria têxtil e farmacêutica aproveitam deste ingrediente para a fabricação de produtos não alimentícios.  

A Macaxeira e o Aipim

Mas o que é aipim e o que é macaxeira? Bom, a macaxeira e o aipim são a mesma coisa! Aliás, este ingrediente também é conhecido pelos nomes de mandioca mansa ou mandioca de mesa.

Este tubérculo, apesar de ser da mesma espécie da mandioca brava, possui metade da quantidade de cianeto em sua composição. Por isso, com um simples cozimento na panela de pressão é possível comê-la sem riscos à saúde. 

macaxeira_cozida
Macaxeira ou Aipim

Então, não se preocupe, pois a raiz que você encontra para comprar em supermercados e feiras é a macaxeira! Ou aipim! Ou a mandioca mansa! Nesta situação, tanto faz o nome!

Este alimento é uma excelente fonte de carboidrato, além de ser rico em vitamina C, polifenóis, ácido fólico, potássio, cálcio, entre outras substâncias que contribuem muito para a nossa saúde. 

Além de ser muito benéfica para o nosso sistema cardiovascular, a macaxeira também pode auxiliar no funcionamento do seu intestino, bem como fortalecer seu sistema imunológico. 

Por ajudar na produção da serotonina, ela também pode dar uma “levantada” no seu humor caso você esteja meio borocoxô. 

Outra dica bacana é que por ser um alimento super energético, a macaxeira pode ser um excelente pré-treino, evitando a fadiga e auxiliando no fortalecimento dos seus ossos. Afinal, ela possui cálcio e fósforo na sua composição. 

Agora, você deve estar se perguntando: dá para diferenciar os tipos de mandioca só pela aparência? 

Infelizmente, não! Tanto a mandioca, quanto a macaxeira, tem aspectos muitos semelhantes na casca, no caule, e também na parte interna da raiz. Para diferenciá-las é preciso examinar em laboratório a dosagem de cianeto.  

Gostou de saber mais sobre essa raiz que é tão comum na mesa dos brasileiros??

Para conhecer mais sobre os ingredientes e sabores amazônicos, acesse nosso blog e confira todos os nossos artigos!!