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Puxuri, a noz moscada brasileira

Puxuri, puxurim, pexorim, pixuri… são vários nomes utilizados para falar de uma semente oleaginosa, que apesar de lembrar a noz-moscada é nativa da Amazônia brasileira. 

O seu aroma e sabor são únicos, com um cheiro que mistura cravo, anis estrelado e um fundinho de cardamomo, é um semente versátil, onde nossa nossa co-fundadora e nutricionista Carol explica mais:  

O puxuri é uma das minhas melhores descobertas da Amazônia. Com aroma e sabor único, um pouco defumado com um toque de cravo e canela. Vai bem tanto no doce como no salgado. Já coloquei no molho branco, na calda do pudim, na batata assada e até para temperar o camarão. Já falei que ele é rico em bioativos…tem como não amar?

A utilização do puxuri é da mesma forma que a noz moscada, é só ralar uma pequena porção para pegar o gosto na sua receita. E claro que não podíamos deixar de compartilhar uma das nossas deliciosas receitas, um peixe com crosta de castanha do pará e puxurii!

A utilização do puxuri é da mesma forma que a noz moscada, é só ralar uma pequena porção para pegar o gosto na sua receita. E claro que não podíamos deixar de compartilhar uma das nossas deliciosas receitas, um peixe com crosta de castanha do pará e puxurii!

hum.. deu até água na boca só de olhar! Confira aqui a receita completa.

Agora vamos mergulhar na história e conhecer mais a origem do puxuri. 

É na cidade de Borba no Amazonas, onde há a utilização tradicional do puxuri. A população detém conhecimentos ancestrais, que fazem uso das propriedades terapêuticas da planta. Segundo um relatório divulgado na 62° Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em 2010, pesquisadores afirmaram que os nativos desta cidade costumam tomar o chá da semente ralada na língua do pirarucu para tratar males do estômago. Consomem o chá de todas as partes da planta como bebida, em substituição ao café.

Seu Francisco, produtor da semente de Puxuri

Outro fato histórico interessante do puxuri, fica localizado no estado do Pará na cidade de Tomé-Açu, onde é a terceira cidade com maior colônia japonesa do Brasil. Os imigrantes japoneses da região são fundamentais para a prospecção agrícola e sustentável na cidade. Um dos primeiros imigrantes, foi o avô de Seu Francisco, o da foto acima, que levou sementes do Amazonas para Tomé-Açu, sem saber que era o puxuri. Foi necessário muito cuidado, dedicação, pesquisa e tempo para que as mudas efetivamente se adaptassem às novas condições de solo e temperatura, e descobrissem que era o puxuri. Esse cuidado com a terra é passado de geração para geração até hoje. 

Ao ralar a semente de puxuri de Tomé-Açu, descobrimos que esta semente transmite muita história. A história dos japoneses que vieram tentar a vida no Brasil e insistiram na criação de sementes mesmo quando as situações eram desfavoráveis. Imigrantes como o avô de Seu Francisco, que acreditaram na produção agroflorestal, sem utilização de técnicas agressivas no solo e valorização familiar, repassando este conhecimento para os filhos, e hoje, o neto, Seu Francisco, segue o mesmo caminho como terceira geração de uma semente única. 

É lá também que existe uma cooperativa, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu – CANTA,  que faz um trabalho importante para a empregabilidade com diversos produtores rurais. Para saber mais dessa história, acesse a reportagem que saiu no Globo Rural

Fruto do puxuri com a semente

Estudos também têm sido realizados na utilização do óleo de puxuri na indústria de cosméticos, perfumes e fragrâncias, fármacos (creme dentais e enxaguantes bucais) e até mesmo como praguicida natural. 

Quem diria que uma semente teria tantas utilidades! 

E assim como várias outras especiarias, essa semente é da nossa terra, é da Amazônia!

Flor de jambu,

Texto produzido por @projetorebbu. 

Referência: 

http://www.sbpcnet.org.br/livro/62ra/resumos/resumos/5714.htm

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Já provou chocolate amazônico?

Em barra, em creme, em pó, bombons, bolos, nibs, chocolate é bom com tudo! Mas é importante sempre lembrarmos que nem tudo o que parece é chocolate realmente! Há muitos produtos disponíveis no mercado que não utilizam o cacau em suas fórmulas, mas sim muitos aromatizantes e corantes artificiais do cacau, leite e açúcar refinado. 

Para ser considerado um chocolate com alta qualidade, é necessário que ele possua efetivamente a concentração do fruto do cacau e na sua forma mais natural possível, sem adicionais de conservantes, corantes ou estabilizantes. 

A notícia boa é que existe cacau em abundância na Amazônia, sendo o Pará o maior estado produtor! Temos exemplos muito importantes de produtores que vem executando um trabalho sustentável e de qualidade, como é o caso do chocolate DeMendes, que é uma das produções paraenses, já foi premiado duas vezes internacionalmente. Outro exemplo é o chocolate no Rio Juruá da Amazônia, que foi ganhador do prêmio Prata no International Chocolate Awards em 2019. 

Aqui na flordejambu.com não é diferente, valorizamos o cacau de qualidade, um dos nossos principais parceiros é a Cacau River, empresa que produz chocolate com amêndoas oriundas de produção sustentável as margens do Rio Tocantins no Pará. O cultivo do cacau é feita pelos ribeirinhos da região como seu Luís.

Produtor de cacau
Seu Luís um dos produtores da Cacau River

Nós tivemos a oportunidade de conhecer o cultivo agroecológico de cacau no quintal do Seu Luis e foi possível ver de perto o impacto positivo e contribuição ao desenvolvimento sócio-econômico da região que a Cacau River proporciona, são mais de 10 famílias envolvidas produção do Cacau. 

fermentacao_cacau
Amêndoas de cacau pós fermentação

Dizem que o cacau é um alimento dos Deuses, afinal, possui inúmeros benefícios, além do seu sabor delicioso!

É energético, possui poderosos antioxidantes que previnem doenças cardiovasculares, reduz os níveis de colesterol ruim, ajuda a aliviar a tpm (tensão pré menstrual), auxilia na regulação do intestino e é um antidepressivo natural! 

Saber a procedência do cacau e consumir o chocolate amazônico de produção local, gera impacto positivo nas comunidades ribeirinhas e faz com que a cadeia circular do bem continue ativa.

flordejambu.com

Texto produzido por Projeto Rebbú. 

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PANC? ÉGUA, O QUE É ISSO?

São as Plantas Alimentícias Não Convencionais! UAU!

Planta Alimentícias não convencionais
Produtos feitos com PANC’s amazônicas

Será que você já provou alguma planta alimentícia não convencional sem saber? Vem conosco para conhecer!

Por não serem produzidas em larga escala e não muito divulgadas, as PANCs erroneamente são caracterizadas como não comestíveis e devido a este mito, muitas pessoas possuem medo de comer. 

A verdade é que tudo já foi PANC um dia, o alface, a cebolinha, o coentro que são popularizados hoje, já foram considerados exóticos anos e anos atrás. Graças a curiosidade, foi possível quebrar esse distanciamento e preconceito com essas espécies e adicioná-las no nosso prato. Temos muito ainda o que explorar e a flordejambu.com está aqui para te ajudar nessa! 

Ora-pro-nobis, Bertalha, Taioba, Dente-de-leão, Hibisco, Peixinho, Folha de batata-doce, Picão branco, Serralha, Erva vinagrinha ou azedinha, são algumas que estão disponíveis para nossos consumo! Estima-se que existam mais de 10 mil espécies de PANCs com potencial alimentício só no Brasil! Imagina quantas receitas e sabores isso pode originar!

PANC na Amazônia

Na Amazônia também se encontra muita PANC, sim! Só que na maioria dos casos, a produção de PANCs é algo cotidiano devido ao contato próximo com a riqueza da floresta e por estar mais restrita ao consumo regional, acabam sendo consideradas como pancs em outras regiões do Brasil e até no mundo.

Pajurá, camu-camu, araçá-boi, tucumã, chicória do Pará, jambu, alfavaca, vitória-régia são alguns exemplos deste potencial Amazônico. Caso você nunca tenha provado, este é um convite para se abrir às novas sensações.

Pajurá, ao olhar o pajurá não parece comestível devido a sua casca, mas ao abri-lo há uma polpa amarela e doce. O Camu-camu de longe é confundido com a jabuticaba ou a uva, mas o seu sabor é cítrico devido ao alto potencial em vitamina C. Uma outra PANC ácida e com muitas vitaminas, é o araçá boi, chamado de fruta iogurte, porque ao se misturar com o leite, a fruta adquire um aspecto similar ao iogurte de fábrica.  Tanto o Pajurá como o camu camu e o araçá-boi são utilizados para fazer doces. 

tucumã
Tucumã colhida no quintal de ribeirinhos no Pará

Já o tucumã é o queridinho dos manauaras. É utilizado em tapiocas, lanches, tem muita vitamina C e traz um sabor de vitalidade no café da manhã! É muito utilizado na região de Manaus, onde diversos produtores rurais vendem o produto, desde a esquina até os restaurantes renomados. 

Chicória do Pará e Jambu não podem faltar na culinária do Pará! Mas não deixam de ser PANCs, pois seu consumo é extremamente restrito no norte do país. São utilizados em diversos pratos, seja no peixe, no arroz, na salada e onde a criatividade da gastronomia permitir! 

A vitória-régia já é o meio termo. Pode ser utilizada tanto para doces quanto para receitas salgadas. Dona Dulce é uma empreendedora que cultiva vitória-régia no Canal do Jari em Santarém no Pará, além de deixar ter um quintal lindo, já produziu mais de 20 receitas com a vitória-régia!

vitoria régia
A Dulce produtora de vitória régia

Aqui na flordejambu.com, é possível encontrar algumas PANCs no formato de geleia como a vitória-régia, por meio da parceria com a DEVERAS, empresa de pesquisadores/as, doutores/as que através de muita pesquisa conseguiram embalar de forma sustentável e natural as PANCs Amazônicas.

O consumo da PANC é proveniente de um trabalho que envolve mãos de muitas pessoas: universidade, comunidade e empreendedores, a flordejambu.com tem o compromisso em fazer com que esses produtos cheguem para todo o Brasil. E quem consome tem um papel importante de não só consumir um novo produto, mas investir em uma comunidade e manter uma história! 

Vem com a gente? 

Flordejambu.com

Texto produzido por @projetorebbu.

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QUAL A FARINHA DO SEU PRATO?

farinhas amazonicas

“Farinhada o elo

De tantas famílias brasileiras

Farinha de tapioca, tapioca

Goma massa fina carimã

Farinha d’água bolo de macaxeira

Quebra jejum beléu biscoito de manhã

Sou cabra forte sou do norte”

Já dizia Alberan Moraes, farinhada é o elo de tantas famílias brasileiras. Arriscamos dizer que não existe um brasileiro que nunca comeu uma farinha, pois a diversidade é tamanha. Farinha de mandioca, Farinha Uarini, Farinha de beiju, Farinha-d’água, Farinha gomada, Farinha de copioba, Farinha de tapioca, podem ter cor amarela, branca ou amarronzada, com grãos grossos ou finos. Há mais de 50 tipos de mandioca para se fazer muita farinha!

A farinha faz parte da cultura enraizada no Brasil. Prova disso, é a Região de Bragança, no Pará, desde o século XX até os dias atuais, produz farinha amarela, leve e de alta qualidade. Em Bragança, há diversos tipos de farinha, fina, tradicional da mandioca, de tapioca e a farinha d’água, feita com a massa da mandioca fermentada (ou pubada) e peneirada, ácida e granulada, que fornece um sabor crocante e único, ideal para comer com açaí, peixes, maniçoba. Na cultura indígena, é o alimento do papa-chibé, o nome dado ao ribeirinho que come farinha misturada com água.

Outra curiosidade é que existe um festival junino muito famoso em Bragança, onde a farinha é a protagonista, com uma exposição dedicada da narrativa completa da sua história.

farinha de mandioca
Farinha de mandioca acima, farinha de tapioca granulada ao lado e farinha de Uarini a frente.

Farinha que além de nutrir o Brasil, é a renda para muitos produtores no Norte do país. Um dos que mais se destacam é o Seu Bené, produtor da região de Bragança, com 74 anos de muita história com a farinha, é ela quem abastece muitos lares e restaurantes, é ingrediente chave de receitas premiadas por muitos chefs e já foi até protagonista de documentário apresentado em Berlim. Para conferir mais de perto essa história, acesse aqui!

Quer farinha com inovação?

É a farinha feita pela Maria de Nazaré Rodrigues Pereira, que introduziu o conceito de farinha saborizada em Bragança, em uma propriedade do sítio Fênix de 75 hectares, buscou junto com o SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e EMATER – Empresa de Assistência e Extensão Rural, técnicas agro sustentáveis para reduzir o tempo de produção e reaproveitamento de recursos. Certificada pela ADEPARÁ – Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará e Identificação Geográfica, têm farinhas tradicionais, incorporadas e até funcional, que é composta de chia, castanha do pará, soja e gergelim.

Dona Maria de Nazaré empreendedora do segmento de farinha de mandioca – empresa Sabor de Bragança

Para matar a curiosidade de como é a farinha é feita, trazemos um vídeo para você da produção de farinha de Bragança na Comunidade do Camutá: Acesse o vídeo

No Pará, outra região que produz farinha é Santa Isabel do Pará, mas a farinha produzida é a partir da goma, tendo como principal resultado a farinha flocada de tapioca. Subproduto do polvilho hidratado, é branca, granulada, em algumas regiões do Norte do país, come-se com açaí, com pirão e ensopados. O Pará é um grande produtor de mandioca, comunidades como Acará, Santarém, Ilha do Marajó dependem da produção de farinha como parte da sua subsistência.

farinha de tapioca granulada
Farinha de tapioca granulada

Navegando agora para o Amazonas, encontra-se um outro tipo de farinha: a Uarini, ou popularmente conhecida como ovinha, de cor amarelada, cheirosa, possui grãos duros, as famosas quebra dentes! Tradição dos manauaras, é perfeita para comer com pirarucu e tambaqui!

farinha de uarini
Farinha de Uarini-AM

Vamos navegar rio acima para Cruzeiro do Sul no Acre, na região do Alto do Juruá, com herança de geração para geração, a produção da farinha é granulada, sendo primeira farinha do estado do Acre a obter a certificação “Selo de Indicação Geográfica”, através do projeto Cadeia de Valor da Mandiocultura realizado pelo Sebrae em 2017, valorizando o conhecimento tradicional e garantindo a qualidade da produção local. 

Produção de farinha é o que não falta neste Brasilzão! Espero que vocês tenham gostado de descobrir um pouquinho mais sobre a farinha, acesse e confira nossas farinhas!

flordejambu.com

Texto produzido pelo Projeto Rebbú. 

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VOCÊ CONHECE A PRIPRIOCA?

Com um perfume delicioso, a priprioca é uma raiz aromática nativa da Amazônia de pequeno porte e rústica com diversas funções:

raiz_de_priprioca
Raiz de priprioca desidratada

Cosméticos

Com notas florais e amadeiradas, a priprioca é muito utilizada no setor de cosméticos para fazer perfumes, hidratantes e óleos essenciais. É afrodisíaca e relaxante, no norte do país, é muito comum em banhos de cheiro para atrair o parceiro e trazer prosperidade. Dizem também que o seu incenso é meditativo e ajuda na concentração do presente, o aqui e agora.

Cultura popular

A priprioca é parte da cultura popular do Norte do país, principalmente da região do Pará. Dizem que atrai boas energias, sendo utilizada em simpatias nas festas de São João e de Ano Novo. O nome vem do tupi e pertence a uma lenda:

Piripiri era um guerreiro que exalava um cheiro misterioso e irresistível para

as mulheres. Porém, ele sempre se esvai em fumaça quando elas

tentavam se aproximar. Aconselhadas pelo pajé, para tentar segurá-

-lo, elas amarraram os pés do guerreiro com os próprios cabelos, mas

foi inútil – na manhã seguinte, ele havia desaparecido de vez. Onde

ele dormira, surgiu uma planta cujas raízes soltavam o mesmo aroma

de Piripiri. A planta recebeu o nome do índio por ter se tornado a

sua morada, Piripiri-oca, priprioca ou “a casa de Piripiri” (Embrapa, 2014).

Medicinal

Estudos já comprovaram que seu óleo essencial tem o poder anti-inflamatório, combatendo inflamações de forma natural e sem reações colaterais. Outro benefício medicinal é o fato de ser analgésica e antitérmica, minimizando febre e dores musculares.

priprioca
Raiz de priprioca ( foto: acervo Manioca)

Produção Local

Segundo a Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 2011, a importância da priprioca para os empreendedores locais é significante, nos arredores de Belém, são 47 produtores que plantam em seus quintais de forma sustentável e dependente do retorno financeiro da produção: (1) Associação dos Moradores de Boa Vista do Acará – Acará (PA); (2) Associação dos Produtores Rurais de Campo Limpo – Santo Antônio do Tauá (PA) e (3) Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém – Ilha de Cotijuba em Belém (PA). O produto deste trabalho é a conquista da certificação orgânica – Selo IBD.

Os produtores locais também utilizam a priprioca para o artesanato, a parte do seu escapo floral que não é usada no comércio dos cosméticos e culinária, é  reaproveitada para decoração em caixas, vasos, entre outros.

Alimentação

A priprioca foi recentemente descoberta na alimentação, após diversos estudos, descobriu-se que a raiz pode ser comestível, sendo não tóxica e para consumo humano. A partir disso, descobriu-se um novo aroma para complementar a culinária brasileira, podendo ser experimentada em diferentes receitas: arroz doce, geléia, bolos, pudim de leite e até mesmo caipirinha!

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Bolo de Priprioca com Laranja

Muitos chefes renomados têm utilizado a priprioca em suas receitas, como o Alex Atala, e claro, A Carol, fundadora da flordejambu.com criou uma receita de bolo que vai priprioca ele é super fácil de fazer, só pela foto já deu água na boca!

Clique aqui para acessar a receita!

A priprioca tem o poder de elevar mais um sentido na gastronomia além da visão e do paladar, que é olfato, por meio do seu aroma contagiante, um nível a mais para sua experiência gastronômica!

Até breve, flordejambu.com

Texto produzido pelo Projeto Rebbú.

Fontes utilizadas:

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722011000500017#:~:text=A%20priprioca%20(Cyperus%20articulatus)%20%C3%A9,e%20comercializada%20como%20planta%20arom%C3%A1tica.

https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/1016705/1/Cap4.pdf

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A RIQUEZA IMENSURÁVEL

Quando ouve-se a palavra Amazônia, é impossível defini-la em apenas um aspecto, é composta de rios, florestas, animais, frutas exóticas,é mística, tem poder de cura e possui uma beleza imensurável. 

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Pelos rios da Amazônia.

Em um momento de fortes mudanças climáticas, líderes de vários países do mundo se reuniram na Cúpula do Clima para buscar objetivos em prol do meio ambiente. Aqui na flordejambu.com estamos atentos nessas medidas e gostaríamos de lembrar de algumas potencialidades da nossa Amazônia plural:

1- Evita o aumento da temperatura

A floresta tem um poder de reter o gás carbônico através dos tecidos vegetais, ajudando a controlar a temperatura do planeta em 2,2%, segundo o IPAM, 2001, é por este motivo que a Floresta Amazônica funciona como grandes armazéns de carbono. Com o desmatamento, todo o armazenamento é destruído e os gases são emitidos na natureza, aumentando a temperatura do planeta devido ao efeito estufa.  Um verdadeiro ar condicionado natural que precisamos valorizar!

2- Abundância em água

Com uma imensidão em água doce, é na Amazônia, onde se encontra o rio mais extenso e mais volumoso do mundo, o Rio Amazonas, que nasce na Cordilheira dos Andes no Peru, passa na Colômbia e no Brasil, onde deságua no Oceano Atlântico.

A bacia hidrográfica do Rio Amazonas, passa por 8 países e 7 estados brasileiros, contemplando cinco usinas hidrelétricas no Brasil.  

É na Amazônia que está o maior arquipélago fluvial do mundo (Mariuá) e por onde passam mais de 1700 rios, detendo cerca de 20% da água doce do mundo

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3- Biodiversidade

Com toda essa riqueza hídrica e florestal, nasce uma biodiversidade única. São diversas espécies de animais, como o boto, peixe-boi, ariranha, piranha, jacaré, entre outros. Há também diversas ervas medicinais, que originam chás e óleos essenciais naturais. 

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2012), estima-se que cerca de 60 mil espécies de plantas e animais

vertebrados vivem na floresta Amazônia, a maior diversidade de espécies do planeta! Uma biodiversidade ainda inexplorada, pois a cada década novas espécies ainda são descobertas.

4- Frutas exóticas

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O clima tropical úmido da Amazônia é propício para o amadurecimento de frutas exóticas, dizem que são mais de 200 espécies, sendo que algumas delas só é possível encontrar na Amazônia! 

É camu-camu, cacau, acaí, buriti, cupuaçú, tucumã, uajuru, deu até água na boca, conheça algumas dessas frutas através de geleias, doces e farinhas de frutas no nosso site.

5 – Moradia

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É na floresta Amazônia o lar de diversos povos indígenas, ribeirinhos, que acumulam um riquíssimo patrimônio cultural: são costumes, línguas, dialetos, técnicas de caça, pesca, agricultura e sustentabilidade, tornando-os os verdadeiros guardiões da floresta.

Esses são só alguns exemplos resumidos da relevância da Amazônia.

Cuidar, preservar e valorizar é um pequeno ato de agradecimento do quanto ela já fez e faz por nós todos os dias.

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Texto: Projeto Rebbú

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ALIMENTOS DE ORIGEM INDÍGENA

No mês de abril indígena, gostaríamos de trazer um pouco mais da história dos produtos que temos na Flordejambu.com, pois acreditamos na importância de manter a tradição e a cultura dos povos originários da nossa terra. 

Para sentir ainda mais de perto essa experiência, recomendamos ouvir a música Raminô – Yawanawa (Canto Mulheres Indígenas), enquanto você lê o artigo: https://www.youtube.com/watch?v=3Ro-VroLByQ.

Tapioca

Do Beiju a Tapioca: dizem que o beiju é o precursor da tapioca, do tupi guarani, ambos são feitos a partir da fécula de mandioca, porém a diferença está no seu formato, o beiju é cilíndrico, parecendo uma panqueca, enquanto a tapioca tem o formato de meia lua. O recheio está na criatividade de quem faz, podendo ser salgado, doce ou até mesmo pura. A tapioca é rica em ferro, carboidratos, magnésio, cobre e vitamina B, possui baixo valor calórico e por não conter glúten, a tapioca pode ser uma aliada na alimentação saudável, desde que seja consumida com os alimentos certos. 

Com certeza, uma herança riquíssima dos nativos de nosso país, que foram passando de geração para geração. A tapioca se popularizou tanto no Brasil, que hoje é possível encontrar muitas receitas feitas a partir dela: dadinho, crepioca, manjar, pudim, sorvete, entre outras receitas. Em alguns lugares da Amazônia, é muito comum tomar açaí com farinha de tapioca. Na flordejambu.com, é possível encontrar farinha de tapioca e até a granola de tapioca

Açaí

O Açaí também vem da língua tupi-guarani e significa, “fruto que chora”, ou que “expele água”. Segundo a lenda, o nome vem de Iaça, nome ao contrário da filha do cacique Ikati, que morreu chorando ao pé do fruto. 

Fonte de energia, vitaminas, combate ao envelhecimento, protege o coração, entre outros inúmeros os benefícios do consumo do açaí! Na flor de jambu é possível encontrar a polpa do açaí congelado, no licor, na geleia, na versão em pó e até na pimenta!

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Açaí com farinha de tapioca

Tucupi

Os indígenas possuem tanto conhecimento da mandioca, que a partir da extração da raiz, descobriram o tucupi, um suco amarelo espremido através do tipiti (um espremedor de palha trançada usado para escorrer e secar raízes). Este suco, inicialmente não é para consumo humano, sendo necessário um período de descanso e de fermentação, para que assim seja possível a sua utilização.

O tucupi também tem nome de origem tupi-guarani, sendo o tempero perfeito para peixes amazônicos!

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Caldo de tucupi amarelo

Pode ser misturado com alho, ervas e até mesmo o famoso jambu. Deste tempero maravilhoso, surgiu o famoso tacacá e o pato no tucupi. Além do tucupi amarelo, existe também tucupi preto, que é o shoyo de forma natural e com menos sódio. Acesse aqui para saber mais sobre os produtos do tucupi.

Pimenta Assîsî

Pimenta em pó e conhecida por pelos Waiwai como ‘Assîsî” . A pimenta assîsî é uma pimenta produzida por mulheres indígenas que habitam as cabeceiras do Rio Mapuera, no extremo norte do Pará. É uma pimenta em pó com picância média, sendo uma das formas de representatividade da cultura e culinária do povo de Waiwai. 

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Pimenta Assîsî

Além desses citados, existem muitos outros produtos de origem indígena: pipoca, paçoca, canjica ou mungunzá, jambu, moqueca de peixe, entre outras riquezas que só a diversidade do Brasil pode nos proporcionar.

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Texto produzido por Projeto Rebbú. 

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CAFÉ AMAZÔNICO

CONEXÃO AMAZÔNIA – DIA MUNDIAL DO CAFÉ

Quando ouvimos falar sobre café no Brasil, vem automaticamente à cabeça a região sudeste do país e o café arábica. Mas você sabia que o café de Rondônia detém de 97% da produção do café Amazônico?

Robusta Amazônico Especial de origem indígena

Dia mundial do café

Aproveitando que hoje é o Dia Mundial do Café, 14 de abril, a flordejambu.com vai contar um pouquinho sobre a importância da produção do café e apresentar um novo sabor na sua xícara: o café amazônico. Um dos exemplos é a produção do café robusta de Rondônia, com uma acidez sutil, corpo aveludado, acentuado e retrogosto marcante, o café robusta possui o dobro de cafeína do café arábico, sendo mais perceptível pelo paladar.  

Cafeicultor indígena Tawã Aruá – Foto: Grazielly Aruá

Trabalho feito por pequenos produtores

Para que o café amazônico chegue na mesa dos brasileiros, envolve um trabalho de muita dedicação e parceria: instituições de pesquisa, pequenos produtores, órgãos governamentais, extensão rural e iniciativa privada que trabalham em colaboração na produção e distribuição. Os frutos deste trabalho vão além da venda do café:

  • Estudos de novas técnicas e pesquisa, para conservação da floresta devastada, tornando-a muito mais sustentável
  • Realização da colheita no período correto, sem utilização de aditivos, misturas sem agrotóxicos, de forma orgânica 
  • Transformação da realidade de agricultores familiares e geração de renda 
  • Empoderamento dos indígenas e de mulheres na cafeicultura 

Um dos exemplos do resgate e valorização das tradições da agricultura familiar, é o Café APUÍ, produzido no sul do Amazonas, com selo Orgânico Brasil, são 59 famílias beneficiadas pela sua produção, trazendo aumento de 300% da renda anual do pequeno produtor. Além disso, com muita pesquisa e técnicas sustentáveis, já foram reflorestadas 45 hectares pela produção de café agroflorestal.


Esses são apenas alguns exemplos do café amazônico e das potencialidades do nosso Brasil, o mais importante é que compõe a tríade que priorizamos na Flor de Jambu: traz sabor e qualidade para a nossa mesa, ajuda o pequeno produtor e faz bem para o meio ambiente! Para quem quiser adquirir o café orgânico amazônico, acesse o link.

Os benefícios do café são tantos, que não é à toa que é considerado a segunda bebida mais consumida do mundo. Para que seu consumo seja consciente e de qualidade, é sempre muito importante saber a história do café. 

Gostaríamos de indicar alguns materiais de referência para conhecer sobre o café amazônico: 

Documentário sobre os cafés Robustas Amazônicos: um capítulo “arrobustado” dos quase 300 anos de história do café no Brasil.

https://youtu.be/tG1xUSKZwbw

Vídeo O Idesam em Apuí (AM) – Café em Agrofloresta

https://www.youtube.com/watch?v=qTwHwzMaiDs&ab_channel=Idesam

Artigos sobre café:
https://idesam.org/cafe-em-agrofloresta/
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/48939353/robusta-amazonico-e-caso-de-sucesso-na-cafeicultura-nacional


Perfis no insta para seguir sobre café amazônico:
@cafeapui
@idesam
@embrapa
@robusta_mazonico
@mulheresdocafederondoni
@renata.k.silva
@lacoopbrasil

Orgulho é poder consumir um café nacional, de qualidade, proveniente da Amazônia, que respeita a natureza e o produtor local. O café fica até mais gostoso! 

Você já se perguntou de onde vem o café que você toma hoje? 

flordejambu.com

Texto produzido por Projeto Rebbú. 

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A samaúma

Olá, a partir de hoje vamos apresentar uma nova série de posts, chamada “Conexão Amazônia”, com o objetivo de mostrar um pouco mais sobre a Amazônia.

No post de inauguração, vamos falar sobre a Samaúma ou Sumaúma, que também é um nome utilizado e ambos estão corretos. A Samaúma é uma árvore tão grande, que devido ao seu tamanho é considerada “mãe protetora da floresta“.

samauma arvore da amazonia
A árvore samaúma na FLONA de Tapajós

É possível conhecer a  Samaúma em diversos pontos da Amazônia, mas existe um local mágico, a FLONA, FLORESTA NACIONAL DE TAPAJÓS, que fica perto de Alter do chão no Pará, onde o acesso é via barco. 

No meio do caminho do acesso à trilha, encontra-se uma das maiores samaúmas do mundo e dizem que ela possui mais de 900 anos de idade, por isso é considerada a vovozona da floresta!

É deslumbrante a sua imensidão e beleza, além da sua força e resiliência. Imagina quantas coisas ela já viu e passou durante esses anos? Chuvas, ventos, pessoas, seres místicos, dizem que o curupira gosta muito de ficar correndo perto da Samaúma!

A lenda

Era uma vez… uma mulher que protegia a floresta amazônica, ela cuidava com muito zelo de todos os seres vivos que moravam ali. Um dia, seu marido foi picado por uma cobra e acabou não sobrevivendo.

Devastada, a mulher sofreu muito com o luto do seu marido e decidiu ir atrás de um remédio que curasse picadas de cobra. Ela pesquisou por muitos anos até que encontrou nas raízes da Samaúma um remédio que curava contra todas as picadas de insetos e répteis da floresta. 

Todos passaram a viver muito felizes. A floresta estava em festa!

Até que um dia, o filho da protetora da floresta foi picado pela cobra e o remédio não funcionou.

A mãe desesperada começou a usar rapé e a implorar para que a Samaúma curasse seu filho. Samaúma virou para ela e disse:
“Eu curo seu filho, se o seu espírito ficar dentro de mim”.

E ela aceitou. 

Até hoje ela protege todos os seres da floresta amazônica.

Espero que vocês tenham gostado dessa história e que um dia todos e todas vocês possam conhecer a Samaúma, uma árvore que transborda energia, paz e amor. 

Até a próxima Conexão Amazônia.

Texto produzido pelo Projeto Rebbú.

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Deveras Amazônia, as delícias que vêm da floresta

Idealizada por biólogos, a Deveras Amazônia defende o meio ambiente e respeita a cultura local

Quando a ciência se une à tradição, maravilhas acontecem. E a maior prova disso é a Deveras Amazônia, uma empresa de Santarém, no Pará, que desde 2018 mantém a produção artesanal de geleias, conservas e licores com sabores amazônicos.

Idealizada por três biólogos com Doutorado, Rosa Mourão (Doutora em Ciências Biológicas); Valéria Mourão (Doutora em Biotecnologia) e Cláudio Monteiro (Doutor em Ecologia), a Deveras Amazônia faz o que toda empresa da região deveria fazer, preservar a floresta, valorizar a cultura e ajudar os pequenos produtores.

Valéria, que é sobrinha de Rosa e esposa de Cláudio, conta que a empresa nasceu da paixão deles por doces e pela floresta. “Morar na Amazônia foi o começo de uma história de amor. A riquíssima biodiversidade e capacidade de manipular sabores e saberes instigou a nossa criatividade e o desejo de empreender e começar a nossa própria produção”.

O primeiro produto da empresa foi a geleia de camu-camu, um fruto nativo da região amazônica, riquíssimo em vitamina C. Ainda é desconhecido de muita gente e pouco utilizado para fins comerciais

Para se ter uma ideia do desconhecimento do seu valor, nas comunidades da região Oeste do Pará, o fruto estraga por falta de mercado. “Foi pensando em agregar valor e utilizar o potencial nutricional do fruto que iniciamos a nossa produção”, relata.

Saberes científicos potencializam os insumos naturais

Dulce, Rosa, Marlene, Valéria e Cláudio

E foi com o objetivo de mostrar o verdadeiro valor da floresta em pé que os três empreendedores escolheram o nome da empresa. Pois “deveras” significa “algo verdadeiro” de confiança. “Somos três pesquisadores em busca de agregar valor aos produtos amazônicos”, afirma.

Mas como que se faz isso? Valéria explica: “Para a Deveras Amazônia, tão importante quanto o conhecimento tradicional é o trabalho científico. Aliar os dois é ter o melhor das pesquisas e conhecimento da alquimia por trás dos insumos naturais para, assim, potencializar o melhor de nossas sementes, raízes, ervas e frutos”.

Além de aproveitar os insumos com a ajuda da ciência, a Deveras tem um relacionamento especial com a cultura, meio ambiente, comunidades locais e pequenos produtores.

Empresa valoriza os pequenos produtores

Segundo Valéria, o compromisso da empresa é desenvolver a economia da Amazônia nos âmbitos social, cultural, ambiental e financeiro. “Pois, além do dinheiro, existem trocas de valor quando se envolve pessoas, ancestralidade e natureza”.

Para isso, a Deveras adquire os frutos e ervas sempre de pequenos produtores, com os quais procuram manter um relacionamento para entender a real necessidade de cada um deles.

Os empreendedores visitam as comunidades para conhecer e entender a relação do produtor com os frutos e proporcionar uma troca de conhecimentos entre fornecedor e empreendedor. “Sempre debatemos com eles sobre a preservação do meio ambiente, a importância do consumo do fruto em sua época, a função ecológica do fruto, e incentivamos e respeitamos essa relação”, explica.

O camu-camu, por exemplo, é uma planta que brota na beira do rio. Quando o rio enche, os frutos caem na água e servem de alimento para o boto e o tambaqui, por isso, a comunidade local só colhe o suficiente para a produção para que os animais não fiquem sem alimento.

Oficina de geleias realizada em comunidade de Santarém

Os biólogos da Deveras também colaboram com pesquisas científicas em produtos que a comunidade comercializa, repassam orientação sobre boas práticas alimentícias, realizam oficinas de geleias e licores, respeitam a safra de cada fruto e procuram manter os produtos da Deveras o mais natural possível para que o consumidor sinta o verdadeiro sabor da Amazônia

Incentivo ao consumo com consciência socioambiental  

Outra proposta da Deveras é incentivar os consumidores a terem consciência socioambiental. Valéria também explica: “Consumir com consciência social e ambiental é estar atento aos produtos que você adquire. Saber de onde vem, qual sua origem, ter consciência dos impactos que ele pode causar, qual a matéria-prima que foi utilizada, se é a partir do uso sustentável dos recursos naturais”,

Ela ressalta que o consumidor precisa saber que as matérias-primas originárias a partir do uso sustentável de recursos naturais de biomas como, por exemplo, o bioma amazônico, geram emprego, renda e inclusão social das famílias de pequenos produtores que vivem da exploração desses insumos.

“Para pessoas sensibilizadas que consomem produtos com consciência social e ambiental, a Deveras apresenta a combinação de saberes da floresta para gerar produtos amazônicos que unem ciência e tradição em seus preparos”, garante a empreendedora.

Vitória-régia, do rio para o prato do consumidor

Um dos produtos mais incríveis da Deveras e que desperta a curiosidade do consumidor é, sem dúvida, a vitória-régia em conserva. Sim, aquela planta aquática típica da região amazônica que tem até lenda.

Para produzir a vitória-régia em conserva, a empresa conta com a parceria da dona Dulce Oliveira, que tem uma plantação desse vegetal no quintal da sua casa no Canal do Jari, uma comunidade localizada perto de Alter do Chão, em Santarém. O cultivo começou em 2014 e atualmente dona Dulce tem um verdadeiro jardim aquático com131 plantas.

Dona Dulce e sua plantação de vitória-régia

A vitória-régia é comestível e dona Dulce começou a criar pratos com a planta, o que atraiu muitos turistas para conhecer o seu trabalho e fazer degustação. “Dulce sabia que precisava do respaldo da ciência, então ela queria que a universidade pesquisasse a planta e fornecesse dados científicos para que as pessoas confiassem naquele tipo de alimento”, conta Valéria.

As análises em laboratório mostraram que a planta tem atividade antioxidante e é rica em proteínas e fibras. “Um produto especial que traz um dos maiores símbolos da nossa Amazônia”, afirma Valéria.

Então, em 2019, foi firmada a parceria científica e comercial, levando ao lançamento da conserva de vitória-régia, feita com o pecíolo, uma espécie de caule que fica submerso “Aliás, a conserva e geleia de vitória-régia juntamente com a geleia e conserva de flor de jambu, geleia de pupunha e licor de chicória são os produtos que chamam mais a atenção do consumidor”, ressalta.

Deveras Amazônia aposta na venda por meios digitais

Antes da pandemia de Covid-19, a Deveras fazia vendas presenciais no seu local de produção, padarias, empórios e restaurantes. Participava de eventos de culinária, negócios sociais e iniciativas que apoiam e defendem o desenvolvimento econômico com a floresta em pé. E também já utilizava as redes sociais e aplicativos de vendas de alimentos para comercializar os seus produtos.

No entanto, com a pandemia, o meio digital tornou-se a principal maneira de divulgar e vender tudo que produzem, contando com parceiros de divulgação que estão alinhados com o seu propósito.

“Nosso produto era consumido mais por turistas e tivemos que fazer adaptações melhorando nossas redes sociais, trazendo o negócio mais para o digital, sem o contato direto que antes tínhamos com público na nossa cidade. Fizemos algumas vendas para outros estados para clientes finais que queriam a experiência de provar produtos amazônicos durante a quarentena”, relata Valéria.

Parceria dá visibilidade aos produtos fora do Pará

Uma parceria que vem dando certo desde 2018 é com a flordejambu.com, quando a Deveras estava com apenas seis meses funcionamento. “A flordejambu.com foi nossa primeira parceria em São Paulo, foi ela que abriu as portas para que pudéssemos enviar nosso produto para outro estado e dar uma visibilidade que não tínhamos”, comemora Valéria.

“Eles acreditaram nos nossos produtos e nas pessoas que temos por trás do nosso trabalho. Por meio da flordejambu.com nós já fechamos outras parcerias, eles são uma ponte para que possamos vencer a barreira e escoar os produtos amazônicos”.

Ela revela que a parceria com flordejambu.com vai muito além do comercial, pois é uma empresa que entende a missão da Deveras e, por isso, estão em completa sintonia. “Eles valorizam os produtos da sociobiodiversidade, entendem a nossa capacidade de produção e a necessidade de termos produtos sazonais”, explica.

Valéria e Rosa Mourão
Valéria e Rosa Mourão

Valéria conta que a flordejambu.com acompanhou a jornada da Deveras e foi peça fundamental para a mudança dos rótulos dos produtos em 2020, ajudando com as informações nutricionais de cada um deles. “Nós amamos essa parceria que já virou uma amizade, somos admiradores da forma como eles nos representam e dos demais produtores que fazem parte desse projeto incrível”, afirma.

A Deveras Amazônia também é um campo de ensino e pesquisa. Além dos três pesquisadores, lá atua a bolsista do curso de Administração da Unama Centro Universitário da Amazônia (Unama), Fernanda Castro, dois estagiários do curso de Técnico em Alimentação da Escola Técnica do Estado do Pará, e uma estagiária do curso de Biotecnologia da Ufopa. Todos já estão trabalhando para o lançamento de novos produtos no mercado. Farinhas de frutos amazônicos e chás são algumas possíveis novidades ainda para 2020.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Deveras e flordejambu.com